Meu Querido Mês de Novembro

Chegou Novembro, é verdade, acreditem, estamos em Novembro. Com ele chegou o Natal e por todo o lado se vêem, já, enfeites e feiras do brinquedo. As ruas estão quase iluminadas e aquele espírito característico começa a tocar-nos a todos em mais um ano que está a acabar. Já cheira a pinheiros e a lareiras acesas, ainda que o calor não tenho tirado férias.
Bem, mas continuando. Este facto, do Natal chegar em Novembro, é ridículo o suficiente para eu passar ao lado e deixar que alguém o critique por mim. Por isso, decidi adiantar-me a toda a gente e, talvez, quem sabe, por uma vez na vida, ser original e falar do Natal, que já chegou. Isto, claro, segundo os grandes centros comerciais e o pessoal da câmara do Porto.
Para alguns o Natal é sinónimo de paz, alegria, amizade, família, amor e entreajuda, entra muitas outras coisas. Mas para a grande maioria é sinónimo de terror, medo... Sinónimo de... Até me custa falar no assunto, mas cá vai. É sinónimo de mais um par de truces, vulgo cueca, de mais um par de meias e, com alguma sorte, de mais um gorro, ou um belo par de luvas cor-de-rosa. Aqueles tipo de coisas que toda a gente sabe que faz falta a toda a gente. Aquela prenda útil, mas totalmente desagradável, por dar uma ideia errada àcerca da outra pessoa. "Ah! Que giro! Umas cuecas. Fazem-me tanta falta. Repara, as minhas estão rotas. Mesmo aqui no sítio, aqui mesmo.". Acho que cuecas, meias, gorros, ou luvas, nunca são demais, não é verdade? - pensam eles. O Natal é a época em que aquela tia-avó chata, que nunca ninguém vê, reaparece, sem a sua dentadura, e passa a noite a tentar dar-nos um beijo gengival, por que, lá na cabeça dela, ainda não nos cumprimentou o suficiente. É, também, a única altura do ano em que o português não se queixa de crise. Ou queixa (Haverá alguma altura do ano em que o português não se queixe de alguma coisa? Até quando estão bêbedos se queixam.), enquanto tenta esconder das câmeras jornalísticas, também típicas da quadra, espalhadas pelas grandes superfícies comerciais. (Outra das coisas da vida que eu nunca entederei.) "Isto está muito mau, o dinheiro não chega para as prendas."; "Mas leva aí uma playstation, acabadinha de saír."; "Hum? Não, não. Imitação dos chineses, coisa pobre."; "Mas diz mesmo playstation e tem marca registada da sonny. E se não me engano, isso é um anel com um diamante."; "Nah, nah. Está enganada. É mentira. Eu sou pobrezinho, não posso comprar... Nah, nah. É, é... Plástico. Plástico é que é. E imitação dos chineses. Anel de plástico e consola de imitação dos chineses. E não me espreite para dentro dos sacos.". O Natal é a época em que preparamos a maior surpresa das nossas vidas às pessoas que amamos e lhes oferecemos umas cuecas... Ou um par de meias... Ou um gorro, vá lá.
Agora estou a imaginar o rebuliço que deve ir nas televisões nacionais. "Vá, quero vinte repoteres no MaiaShopping, trinta no Norte e sessenta para o Colombo. Não entra nem sai ninguém sem falar convosco. Levem pistolas e apontem-lhes à cabeça, dêam-lhes uma tareia, façam o que quiserem. Não quero é que falhe ninguém. Entendido?"; "Sim chefe, mas e o assassinato do presidente de Santa Pita de Baixo?"; "Natal, Natal é que é. Agora é só Natal."; "Mas ainda estamos em Novembro."; PAMMM!!!; "NATAL, ouvistes sua estúpida? E se me voltas a contrariar levas mais. E vocês também, entendido?".
Já estou a divagar, como sempre. Aqui fica o meu pensamento. Desejo, desde já, um bom Natal a todos e um próspero Ano Novo.



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