Bom Português

Há, no nosso país, algumas frases que foram ficando famosas ao longo dos anos, não por serem extraordinárias, mas por ser extraordinariamente mal ditas. Hoje vou analisar algumas dessas frases, três para ser mais preciso, para que se entenda o verdadeiro sentido que os seus autores lhes queriam dar.
Começamos com uma frase usada por uma classe social que, supostamente, não devia dar erros, de tão grande que foi o seu corriculum estudantil em termos de cadeiras de português. Esta frase é bastante usada pelos nossos jornalistas: "...destruição maciça...". Ex.: "Ah e tal, uma bomba de destruição maciça.". Todos vocês estão a pensar que os pobres jornalistas quereriam dizer massiva e não maciça, mas aí é que se enganam. Um bomba de destruição maciça é uma bomba dura, rija, espessa, não é oca como qualquer outra bomba normal, tem qualidade. O facto de se usar numa bomba um adjectivo que é, normalmente, atribuído à madeira, serve, de facto, para enfatizar a qualidade da bomba e não o seu grau de destruição. Ex.: "Olha esta bomba, tão boa que ela é. É maciça, é jeitosa. Isto é que é uma bomba.".
O segundo exemplo saiu, há uns anos, da boca de um conhecido treinador nacional, cujo o nome não será aqui revelado, até porque não me lembro qual foi. "Um faca de dois legumes.". Mais uma vez deverão estar a pensar em algo errado. O senhor não queria dizer faca de dois gumes, ou duas lâminas, mas sim uma faca que serve, não só, para cortar batatas, mas também, para dar um jetinho na alface. Em alguns modelos são também descascadoras de cebolas e noutros de cenouras. São facas especializadas para dois tipos de legumes diferentes. Ex.:"Tenho de cortar esta cebola e descascar aquela beterraba, mas não me apetecia nada usar duas facas. Ah, já sei, vou usar a minha faca de dois legumes.".
Terceiro exemplo. Esta é, também, muito conhecida pelas nossas ruas. "O bode respiratório.". Ora, nesta talvez estejam correctos e eles queiram mesmo dizer bode espiatório, mas eu achei que, talvez, tivesse piada arranjar uma desculpa parva e que o bode respiratório é, na realidade, um bode pelo qual se pode respirar. Daí o nome respiratório. É aquele bode que os pastores usam quano estão aflitinhos dos pulmões e precisam de ar. Quero acreditar que todo o pastor de cabras tem um. Aquilo lá no alto das serras e no frio é difícil respirar, então o pastor, necessitado, encosta os lábios no... na... ali no... num dos muitos orifício do bode e inspira e expira através do bode. Ou então não e eu só não encontrei uma explicação para esta frase estupidamente mal dita e, então, decidi ser mais estúpido que as pessoas que a dizem assim.
Podia arranjar muitos mais exemplos, mas acho que já chega de maltratar os assassinos da nossa língua. Até os criminosos merecem um descanso. Mas se arranjarem mais frases destas escrevam que eu explico com toda a certeza e com todo o gosto. Por hoje ficamos por aqui.
Mais uma vez desculpem, mas a inspiração tarda em aparecer.
P.S.: Não percam tempo a ler estas porcarias, trabalhem. Continuem o que faziam anteriormente, vá.

Comentários

  1. Adorei este post

    Vou ver se te arranjo mais expresões para tu praticares.

    Está muito divertido e bem apanhado.

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  2. Ora aqui outro grande post..."faca de dois legumes" - Jaime Pacheco eheheh.
    Tao bom material e vai-me enviar assuntos relacionados com mosquitos e professores para a rádio...minha nossa senhora.
    Aqui vai uma frase para interpretares..."Porreiro pá!"
    Fica bem.

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