Entrevista: O Grande Poeta

Mais uma vez saí à rua, para fazer uma entrevista. Desta vez, dou-vos a conhecer Aníbal Anacleto Pintassilgo, um jovem de sessenta e quatro anos, também conhecido por: O Grande Poeta.

O Nada Mais Giro - Muito boa tarde. O senhor é um poeta de rua, certo?
Aníbal Pintassilgo - Ya! Shou um poeta da shtreet, 'tájaver?
ONMG - Porquê o Grande Poeta?
AP - Porquê?
ONMG - Sim, porque lhe chamam O Grande Poeta?
AP - Ah! Isho. Ya, man, ya! Esha chena, já shei. Ya! Não shei. Não facho a mais piquena ideia.
ONMG - Mas foi assim que se apresentou. Chamam-lhe mesmo o grande poeta?
AP - Ya, ya! Talvez, não shei. Mas os meujamigos, mais próximos, chamam-me Camonas.
ONMG - Camonas?
AP - Ya. É uma homenagem ao grande poeta Camonas, o escritor daquela chena, dos gajos que pasharam além dos mares da bifana, que foram à Índa, ou ao Minipreço, fazer não sei o quê. É ashim uma coija, não shei muito bem.
ONMG - Ah! Camões, o escritor dos Lusíadas.
AP - Camonas, foi o que eu dishe. O escritor dos... dos... deshes. Ya! Eshe, Camonas.
ONMG - Senhor Aníbal, é capaz de nos fazer uma rima? Para comprovarmos o seu talento.
AP - Ya, ya, na boa! Não, não posho. Não pode sher.
ONMG - Então porquê?
AP - Eshas coijas não podem sher feitas, ashim, no meio da rua, shem preparashão.
ONMG - Mas o senhor não é um poeta da rua?
AP - Ya, man, ya!
ONMG - Então faz rimas na rua! Assim, sem mais nem menos.
AP - Ya! Não. As coijas têm que sher preparadas, penshadas, copiadas, eshas coijas ashim.
ONMG - O senhor não será uma fraude?
AP - Uma fralda? Não, não, ainda não ujo deshas coijas.
ONMG - Um fraude, uma mentira.
AP - Nah, acha? Shou. Shou uma fralda.
ONMG - E porque é que nos fez perder tempo? Porque nos chamou aqui, afirmando ser O Grande Poeta?
AP - Eu shinto-me shojinho. Arranjei esta roupa do meu neto, que parece d'um baloufo gigante, com dois metros, ashim, puf, baloufo, grande. E liguei para que viesseis fazer a entrevista, para me fazerdes companhia. Estou tão shojinho. E pareço um baloufo, daqueles puf, gordos, baloufos mesmo.
ONMG - Desculpe, mas não podemos continuar com esta farsa.
AP - Atão? Eu até aprendi a língua, aquelas coijas esquejitas que os miúdos dijem agora. Não vá embora, espere. Quer uma rima? Eu fasho uma rima. Fasho já. Ó, quer ver? Fasho com tanto jeito uma rima, como te shubo pelas pernas ashima. Ou fasho tão depresha uma rima, como dava uma na tua prima, she não preshijashe de viagra. Ó shenhor, venha cá. Não fuja. Ó shenhor...

Esta foi a entrevista possível, com mais um farsola deste nosso país. Desculpem a má linguagem. Agora, vou ter que correr senão o homem apanha-me. Adeusinho. Cumprimentos.

Comentários