O Povinho da Desgraça
Quando me ponho a pensar só sai porcaria, mas estive a fazê-lo e apercebi-me de que somos o povinho da desgraça (Provavelmente sucede o mesmo noutros países, mas como só conheço o meu, é dele que falo).
Sempre que há uma desgraça, lá está o povinho: "Ai, já vistes o que aconteceu?!". É tão certo como eu chamar-me António.
Incêndio na mata, são mais os mirones do que os, pobres, bombeiros a combater o fogo. Uns dão apoio: "Olha ali, vai ali, dá ali com a mangueira, faz o que te digo."; outros não dão apoio: "Olha aquele bombeiro cair, olha que engraçado. E, pimba, caiu no meio das chamas. Hilariante."; outros, dependendo do número de câmaras da comunicação social, ainda vão fazendo alguma coisa: "AI, É UMA DESGRAÇA. AJUDEM-ME. Ah! Já foram embora. Vêm aí outra vez. AI, AI. DEUS NOS AJUDE.". O trânsito pára na auto-estrada, sempre que há um acidente... na outra faixa de rodagem: "Olha lá o acidente do outro lado. E olha o trânsito atrás deles. Coitados, estes nunca mais saiem daqui. Acho que vou ficar aqui um bocadinho a ver o espectáculo.". Alguém matou alguém, sabe-se lá muito bem onde. As vozes críticas amontuam-se, mesmo que nem conheçam o assassino, o assassinado, ou sejam, sequer, da vizinhança: "Era tão bom rapaz, como é que foi fazer uma coisa destas.", "Mas tu conhece-lo?", "Não, mas fica sempre bem dizer isto para a televisão.".
Sempre que há uma desgraça, mesmo que seja pequena, o povo português desloca-se em massa, chegando, mesmo, a acampar no local, por vários dias. "Só saio daqui quando encontrarem a piquena Méde.".
Tanto estádio vazio, tanto espectáculo sem público e, afinal, o que é preciso é que haja uma pequena desgraça lá dentro. "Onde vais?", "Dizem que o treinador do Unidos oo Garrafão partiu uma perna, vou ao estádio ver isso.".
Mais uma vez, tenho quase a certeza que em todo o lado é igual, mas eu só falo do meu penico à beira-mar plantado.
Um abraço e continuação de boa semana.
Sempre que há uma desgraça, lá está o povinho: "Ai, já vistes o que aconteceu?!". É tão certo como eu chamar-me António.
Incêndio na mata, são mais os mirones do que os, pobres, bombeiros a combater o fogo. Uns dão apoio: "Olha ali, vai ali, dá ali com a mangueira, faz o que te digo."; outros não dão apoio: "Olha aquele bombeiro cair, olha que engraçado. E, pimba, caiu no meio das chamas. Hilariante."; outros, dependendo do número de câmaras da comunicação social, ainda vão fazendo alguma coisa: "AI, É UMA DESGRAÇA. AJUDEM-ME. Ah! Já foram embora. Vêm aí outra vez. AI, AI. DEUS NOS AJUDE.". O trânsito pára na auto-estrada, sempre que há um acidente... na outra faixa de rodagem: "Olha lá o acidente do outro lado. E olha o trânsito atrás deles. Coitados, estes nunca mais saiem daqui. Acho que vou ficar aqui um bocadinho a ver o espectáculo.". Alguém matou alguém, sabe-se lá muito bem onde. As vozes críticas amontuam-se, mesmo que nem conheçam o assassino, o assassinado, ou sejam, sequer, da vizinhança: "Era tão bom rapaz, como é que foi fazer uma coisa destas.", "Mas tu conhece-lo?", "Não, mas fica sempre bem dizer isto para a televisão.".
Sempre que há uma desgraça, mesmo que seja pequena, o povo português desloca-se em massa, chegando, mesmo, a acampar no local, por vários dias. "Só saio daqui quando encontrarem a piquena Méde.".
Tanto estádio vazio, tanto espectáculo sem público e, afinal, o que é preciso é que haja uma pequena desgraça lá dentro. "Onde vais?", "Dizem que o treinador do Unidos oo Garrafão partiu uma perna, vou ao estádio ver isso.".
Mais uma vez, tenho quase a certeza que em todo o lado é igual, mas eu só falo do meu penico à beira-mar plantado.
Um abraço e continuação de boa semana.
É verdade sim senhor. Mentalidade estúpida que é alimentada por superiores do nosso país.
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