Os Danados
São Cristovão de Remoinho, uma pequena vila, perdida no interior deste nosso país. Os cerca de mil habitantes, deixaram de existir aos olhos dos orgãos regedores e o nome da vila desapareceu dos mapas. A única maneira de lá chegar é perdendo-se e não há maneira de sair.
A vila foi assolada por uma maldição, há quase cem anos. Diz-se que a vila está assombrada e as pessoas perderam o norte.
António Silva é um orgulhoso Guarda Nacional Republicano, a frequantar o curso de inspector, na Polícia Judiciária, misteriosamente destacado para se juntar ao Coronel Pina, chefe e único membro do quartel desta vila.
No comboio:
- Então o jovem, para onde vai? - pergunta um velho, de óculos, sentado mesmo ao lado de António.
- São Cristovão de Remoinho. Conhece?
O homem arregala os olhos e fica pálido.
- Jovem, saia do comboio e vá para trás. Fuja enquanto pode. S. Cristovão é terra de ninguém. Lá só vivem almas panadas, ou lá como se diz. Eu vivi numa aldeia vizinha que, há mais de oitenta anos, teve de ser evacuada, por causa de coisas estranhas que se passavam nessa vila e que ninguém conseguiu explicar. Agora vivemos a mais de trinta quilómetros de distância. As aldeias e vilas, num raio de dez quilómetros de S. Cristovão, são verdadeiras cidades fantasmas. Fuja antes que borre as calcinhas.
- Mas o que tem a vila? Quase não me falaram dela, só me disseram o nome - perguntou António.
- A vila? A vila foi...
Nesse momento o velho começa a tremer por todos os lados e a espumar pela boca. Revira os olhos e a sua pele quase fica transparente, de tão pálida que está. António, aterrorizado, salta do banco e chama ajuda, mas ninguém parece ouvir. Era como se António fosse mudo, gritava, mas ninguém respondia. António tocou as pessoas e correu pelo comboio procurando um fiscal. Ao chegar à máquina, reparou que não havia maquinista. Olhou para trás e, sentados nos confortáveis bancos do comboio estavam, agora, esqueletos. O pobre guarda, gelado de medo, desmaia.
Minutos depois, António acorda, no seu lugar, e o velho ao seu lado dorme, calmamente. À sua volta tudo está como estava e os esqueletos voltaram a ser gente. António fica supreso.
- Nunca tinha tido um pesadelo tão real.
O velho sorri.
Última paragem para António, Covilhã.
- Adeus meu jovem. - diz o velho - Agora é tarde, já não pode fugir. Reze a todos os santos, é a sua única salvação.
António fita o homem, com ar de desconfiança e medo. As suas mãos tremem e quase não consegue segurar as duas malas que traz consigo.
Ao sair do comboio, António repara num silêncio ensurdecedor, nem o comboio se ouve partir, e que não havia mais ninguém na estação senão ele. Atravessa a primeira porta, que se fecha atrás dele, muito misteriosamente, para que não tenha a tentação de voltar atrás e fugir. Aterrorizado segue, em direcção à porta da rua. Na rua, também não há viva alma. António olha em todas as direcções e nem um pássaro voa por perto. Vira-se para a estação, admirando a sua beleza antiga e, sem que nada o fizesse esperar, ouve o relinchar de um cavalo, mesmo atrás de si. Volta-se de rompante e assusta-se, caindo. Uma carruagem preta, puxada por dois garanhões pretos e com um estranho homem, nas rédeas, surgiu do nada.
- Gaurda Silva? - perguntou o homem sem sequer olhar António.
- Sim, sou eu. - responde António, levantando-se.
- O meu nome é Geremias. Venha, vamos para a vila. Estão todos à sua espera.
António subiu para a carruagem, relutante.
- Yah! A toda a velocidade meus lindos.
E seguiram viagem.
Continua...
A vila foi assolada por uma maldição, há quase cem anos. Diz-se que a vila está assombrada e as pessoas perderam o norte.
António Silva é um orgulhoso Guarda Nacional Republicano, a frequantar o curso de inspector, na Polícia Judiciária, misteriosamente destacado para se juntar ao Coronel Pina, chefe e único membro do quartel desta vila.
No comboio:
- Então o jovem, para onde vai? - pergunta um velho, de óculos, sentado mesmo ao lado de António.
- São Cristovão de Remoinho. Conhece?
O homem arregala os olhos e fica pálido.
- Jovem, saia do comboio e vá para trás. Fuja enquanto pode. S. Cristovão é terra de ninguém. Lá só vivem almas panadas, ou lá como se diz. Eu vivi numa aldeia vizinha que, há mais de oitenta anos, teve de ser evacuada, por causa de coisas estranhas que se passavam nessa vila e que ninguém conseguiu explicar. Agora vivemos a mais de trinta quilómetros de distância. As aldeias e vilas, num raio de dez quilómetros de S. Cristovão, são verdadeiras cidades fantasmas. Fuja antes que borre as calcinhas.
- Mas o que tem a vila? Quase não me falaram dela, só me disseram o nome - perguntou António.
- A vila? A vila foi...
Nesse momento o velho começa a tremer por todos os lados e a espumar pela boca. Revira os olhos e a sua pele quase fica transparente, de tão pálida que está. António, aterrorizado, salta do banco e chama ajuda, mas ninguém parece ouvir. Era como se António fosse mudo, gritava, mas ninguém respondia. António tocou as pessoas e correu pelo comboio procurando um fiscal. Ao chegar à máquina, reparou que não havia maquinista. Olhou para trás e, sentados nos confortáveis bancos do comboio estavam, agora, esqueletos. O pobre guarda, gelado de medo, desmaia.
Minutos depois, António acorda, no seu lugar, e o velho ao seu lado dorme, calmamente. À sua volta tudo está como estava e os esqueletos voltaram a ser gente. António fica supreso.
- Nunca tinha tido um pesadelo tão real.
O velho sorri.
Última paragem para António, Covilhã.
- Adeus meu jovem. - diz o velho - Agora é tarde, já não pode fugir. Reze a todos os santos, é a sua única salvação.
António fita o homem, com ar de desconfiança e medo. As suas mãos tremem e quase não consegue segurar as duas malas que traz consigo.
Ao sair do comboio, António repara num silêncio ensurdecedor, nem o comboio se ouve partir, e que não havia mais ninguém na estação senão ele. Atravessa a primeira porta, que se fecha atrás dele, muito misteriosamente, para que não tenha a tentação de voltar atrás e fugir. Aterrorizado segue, em direcção à porta da rua. Na rua, também não há viva alma. António olha em todas as direcções e nem um pássaro voa por perto. Vira-se para a estação, admirando a sua beleza antiga e, sem que nada o fizesse esperar, ouve o relinchar de um cavalo, mesmo atrás de si. Volta-se de rompante e assusta-se, caindo. Uma carruagem preta, puxada por dois garanhões pretos e com um estranho homem, nas rédeas, surgiu do nada.
- Gaurda Silva? - perguntou o homem sem sequer olhar António.
- Sim, sou eu. - responde António, levantando-se.
- O meu nome é Geremias. Venha, vamos para a vila. Estão todos à sua espera.
António subiu para a carruagem, relutante.
- Yah! A toda a velocidade meus lindos.
E seguiram viagem.
Continua...
É da tua autoria?
ResponderEliminarPenso que sim. Por isso digo-te que o li de um fôlego, avidamente.
Queres mandar-me o texto? Aceitas uma ou duas sugestões?
Parabéns e fico à espera da continuação.
Sinceramente, acho que estás no caminho certo. Só precisas de um pouco mais de "suor" e "trabalho". Inspiração e talento, penso que já tens.
O anónimo sou eu, a São. Mas já devias calcular!
ResponderEliminarWow...fica a espera da continuação,muito bom!!
ResponderEliminarHmmm, o autor está de parabéns... O mestre da grande punição gostou do que leu e fica à espera de desenvolvimentos à história. Mantém a rota, marujo...
ResponderEliminarThe Punisher
vou estar atento... mto atento!
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