Formação ou Não
Atravessamos, como é sabido (ainda que eu não acredite nisto) uma crise económica. O governo tem tomado medidas, umas certas, outras em cima do joelho, e temos evitado a entrada do FMI por este país adentro. Mas será que a crise é só económica?
Muito se fala da crise económica mundial, mas parece que se esquecem da crise de valores que esta sociedade leva, bem mais adiantada e muito pior do que a crise monetária (sim, eu dou mais importância aos valores morais do que ao dinheiro. E agora?). O governo toma medidas económicas que aumentam o que é mau e prejudicam o que é bom. Aumenta os impostos e baixa os salários. Aumenta o custo de vida e retira os apoios (que, diga-se desde já, não era com 10€ de abono que íamos ficar ricos, mas era uma ajuda). Mas não é só aqui que o governo faz estragos e aumenta o mau para tirar ao bom. Aumenta o desemprego e baixa a qualidade das qualificações. Aumenta a escolaridade obrigatória e baixa à qualidade do ensino. Aumenta ao número de doutores e engenheiros, à oferta de cursos superiores e baixa à quantidade de procura. Basicamente, aumenta na caca e baixa no ouro.
A solução não está no aumentar, está no melhorar. Se melhorassem as condições do ensino nacional e incutissem novos valores nos jovens, em vez de impedirem reprovações, ganhavam muito mais. Adultos mais íntegros e competentes. Se acabassem com essa treta (porque é uma treta) das Novas Oportunidades e dessem formação profissional que realmente melhorasse as competências dos profissionais. Porque, realmente, o desemprego aumentou, mas grande parte dos novos desempregados são parasitas e donas de casa que, ao verem que os cursos financiados eram mais uma oportunidade para ganharem uns trocos sem mexer uma palha, se foram inscrever nos centros de emprego e, hoje em dia, fazem todas as formações e mais algumas, não contribuindo para a produção nacional (e isto é um facto comprovado). Atribuir o 12º ano baseado em experiências de vida, uma vez que é isso que se faz nas novas oportunidades (e ainda assim sei de gente que não consegue terminar o 12º. Nem com a simples tarefa de elaborar um dossier com a história da sua vida.), não forma nem educa ninguém. Formação sem aprendizagem, sem professores que realmente queiram ensinar, na minha terra não é formação, é preguiça. Se querem ensinar e prender, a solução passa por adaptar o ensino secundário às exigências dos adultos que, outrora, não tiveram a oportunidade de o realizar e não facilitar-lhes a vida. Fazer as coisas a correr nunca dá bom resultado. Conselho de sábio. E já diziam os saudosos Mamonas Assassinas: "O sábio soube saber que o sabiá sabia assobiar.". E é bem verdade, eu sei.
A tua escrita melhora de dia para dia.
ResponderEliminarEmbora não concordando com tudo, tudo, estpu globalmente d eacordo contigo.
A verdadeira crise é de valores, sim senhor!