Pessoas com Defeito
Porque temos o estranho hábito de julgar e criticar os outros? De apontar defeitos e erros? De condenar atitudes, crenças e valores? Eu faço-o, vocês fazem-no, todos fazemos. No entanto, quando são dirigidos a nós, magoam.
Dizemos que amamos alguém. Um pai, um irmão, a namorada. Mas, logo de seguida, dizemos que estão errados. Que estão a fazer mal. Que não prestam. Que não sabem. Focamo-nos nos defeitos e feitios do próximo. Ou porque é desastrado, ou porque é preguiçoso, ou porque não fez isto, ou porque não fez aquilo. Isto não é amar. Amar é aceitar os outros como são, sem juízos, sem criticas. Ou devia ser.
Devíamos focar-nos no que é, realmente, importante. No que fazem por nós. No que alcançam na vida. Nas coisas corretas que fazem. Devíamos dar apreço. Mostrar o nosso orgulho por tudo o que os nossos entes queridos fazem com o tempo que têm neste mundo. Passar a vida sem uma palavra de conforto, uma mostra de congratulação, uma apreciação sincera, não é fácil. Nunca ouvir, da boca de um pai, o orgulho que sente no filho, mói. Ver que a pessoa que queremos de nosso lado não faz um esforço por compreender as nossas filosofias e crenças, destrói.
Partimos corações e destruímos sonhos. Mas porquê? Dizer a alguém que está errado, que aquela não é a pessoa certa (porque achamos que sabemos melhor), realçar os defeitos, as manias, não é forma de os protegermos. É, pelo contrário, a fórmula certa de acabar com o carácter de alguém, de escavacar relações, de espezinhar a forma mais natural, mais profunda, de ser daqueles que "amamos".
Porque temos o estranho hábito de julgar e criticar os outros? De
apontar defeitos e erros? De condenar atitudes, crenças e valores? Eu
faço-o, vocês fazem-no, todos fazemos. Não sei porque o fazemos, no entanto, quando são dirigidos a
nós, ficamos de rastos.
Não gosto de pensar que o fazemos simplesmente para nos sentirmos melhor connosco próprios e com o que somos mas... É sempre mais fácil concentrarmo-nos naquilo que os outros têm de condenável do que em nós próprios e nos nossos defeitos. A triste verdade é que realçar a miséria dos outros nos traz, por vezes, algum prazer. Como se, enquanto criticas o outro, te esquecesses dos teus próprios problemas e defeitos.
ResponderEliminarAinda assim, acho que o pior de tudo é a tendência que temos de ser muito mais críticos, muito mais exigentes e muito menos pacientes com aqueles que nos são mais próximos do que com as pessoas com quem não temos especiais afinidades. Se calhar não me incomoda o facto de um colega de trabalho estar constantemente a dizer palavrões, mas a verdade é que isso já me incomoda se for o meu pai ou o meu marido a fazê-lo.
Se, por um lado, vejo estas críticas e exigências como um incentivo, uma forma de levarmos o outro a olhar para si mesmo e tentar melhorar um ou outro aspecto (que, na *nossa* opinião poderá ou deverá ser trabalhado), por outro... Pode acabar por acontecer aquilo de que falas. Um pai que nunca diz a um filho "Estou muito orgulhoso de ti." E isso é triste.