História de Vida

Somos o único ser vivo, na Terra, que atribui valor às coisas. Por exemplo, compramos um pão, damos uma trinca e, automaticamente, pensamos se o pão é bom ou mau. Mas, se dermos esse pão a um cão, ele não vai pensar se é bom ou mau, vai comê-lo. Não teve de o caçar, não precisou de ter trabalho e tem comida. Assim, acabamos a dar importância às coisas mais mundanas, que existem.

Lemos nas notícias, ou vemos na televisão, alguém bem sucedido e, imediatamente, inveja. "Queria o mesmo que ele tem", "quero tanto ser assim", "que sorte". Só que ninguém sabe a realidade que está por trás daquela história. Quem é, na verdade, aquela pessoa. Com quem se dá, que lutas trava, se sofre, se não sofre. Todos ouvimos falar de Jesus Cristo, mas quem era ele? Alguém, dos que com ele conviviam, alguma vez disse como ele era? O que fazia nos tempos livres, se bebia, se gostava de ir às "meninas" - isto, acho que se sabe que sim, não é Maria Madalena? Ninguém sabe, ou, se sabe, são pormenores muito vagos. Hitler, Ghandi e muitos outros. São conhecidos pelos seus feitos. Então e o resto? Os amigos de infância, a juventude? Vemos toda esta extraordinariedade (isto diz-se?) - há quem admire Hitler, não me condenem - e, de forma espontânea, atribuímos logo um valor. Pior, um valor à nossa vida, baseado nessas coisas. "NÃO SOU NINGUÉM".

O que falhamos em perceber é que ninguém é ninguém, ou, melhor, toda a gente é ninguém. Vivemos num mundo com milhares de milhões de habitantes, com milhares de espécies de seres vivos. Já pensaram qual é a probabilidade de nascerem quem são? De estarem onde estão agora? É ínfima. E, no final, todos vamos para ao mesmo sítio. Mesmo os senhores que, hoje, dominam o planeta, vão parar ao mesmo sítio que nós. Eles é que se esquecem disso. Do mesmo sítio viemos - em sentido figurado - e ao mesmo sítio vamos parar. Não somos nada. No entanto, ao mesmo tempo, somos tudo. Para nós e para os que nos amam. São eles que nos vão recordar, quando formos, até à geração em que ninguém se lembrará mais. E, mesmo sendo ninguém, todos, todos sem exceção, têm uma história para contar. E não digas que não tens. Estiveste fechado, a tua vida toda, sem sequer sair do sofá para um xixi? Mesmo assim, tens aí uma história para contar. A não ser que tenhas acabado de nascer. Bem, mesmo nesse caso, nem que tenha sido há um milésimo de segundo, já tens uma história de vida, a história do teu nascimento.

Somos o único ser que imputa valor às coisas e situações que nos acontecem. Bom, mau. Terror, felicidade. E se nada for bom, ou mau? E se a morte, algo terrível e doloroso, for uma salvação? Nalguns casos é. E se nada importar? Tendemos a rebaixar-nos, com base em falsa premissas. Nunca pensem que alguém é melhor que vocês. Todos temos uma história de vida e, muitos de nós, só agora estão a começar a escrevê-la e outros ainda têm muita história pela frente.

Comentários

Mensagens populares