Não Me Compras

É normal querermos coisas e querermos mais e mais. O mundo está desenhado assim, fazer-nos desejar tudo e mais alguma coisa.

Eu, por exemplo, fico triste, de cada vez que me lembro que tive de vender a minha mota. Agora não posso comprar outra e, provavelmente, não vou poder até a Maria acabar a faculdade (se ela o quiser fazer). Na altura, se calhar, já nem haverá motas.

Mas dou por mim a pensar, mais do que uma vez, que o dinheiro, realmente, não é o mais importante da vida. Infelizmente, para termos uma vida mais ou menos digna precisamos dele, no entanto, as melhores coisas ele não compra.

Costumava sair de casa, para o trabalho, às 5:20 e só voltava às 21:00. Eram 16 horas fora de casa, 14, ou 15, das quais a trabalhar arduamente. Foram dois anos. Quando a Maria nasceu, apercebi-me que não ia aguentar. Como é possível passar o dia sem ver o sorriso da minha filha? Ter uma hora, pois às 22, 22:30, já tinha de estar na cama, para brincar com ela e dar-lhe um carinho? Não ser ajuda para a minha mulher, que tinha de aguentar tudo sozinha? É muito difícil.

Felizmente, consegui mudar. Ganho muito menos, mas não podia estar mais feliz. Tenho tempo de estar com a minha família antes de sair de casa e depois de voltar. Posso ver o meu anjo crescer e ser parte da sua educação. E isto, sim, é importante, é o que vale a pena.

É normal querermos coisas. É normal querermos dinheiro, posses e vícios. É a vida. Mas o que o dinheiro não compra é a felicidade. E não, não é conversa de pobre.

P.S.: Isto é, em parte, um tributo aos meus ex-colegas, que na realidade nunca deixam de o ser. Foram dois anos de aventuras e histórias.

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