Fora de Controlo

Espero que este texto não ofenda ninguém. Incluo-me nele e, simplesmente, escrevo os meus sentimentos.

Muitas vezes, ou quase sempre, deixamos que outras pessoas ou outras coisas controlem a nossa vida. Eu sei que deixo, aliás, nos últimos tempos a minha ansiedade e estado depressivo têm sido elevados, muito devido ao facto de achar que não controlo porra nenhuma.

Temos a tendência, especialmente nós, homens, de deixar que outras pessoas controlem as nossas vidas. Começa pelas nossas mães. Deixamos que nos digam o que vestir, o que comer e, algumas vezes, o que estudar e com quem casar. Isto, depois, transporta-se para as namoradas/esposas. Quando nos apaixonamos temos a estranha tendência de fazer coisas estúpidas. Eu já as fiz. Aquando da minha primeira namorada, da minha segunda namorada e da terceira namorada, atual esposa. Bem, com a primeira namorada não foi assim tanto o tempo em conjunto, mas deu para ser estúpido na mesma. Com a segunda, os amigos dela quase passaram a ser os meus, porque "deixei" os meus e comecei a andar com os dela. Com a terceira, foi ao contrário. Voltei a ligar-me aos "velhos" e até fiz novos. Tivemos bandas juntos, saímos, diverti-mo-nos. No entanto, quando começamos uma nova relação, temos o hábito de agradar à rapariga, não importa como. Só queremos passar o tempo com ela - sejamos francos, quem prefere a perspetiva de uma noite de copos e bebedeira com os amigos a uma bela noite de sexo, com a mulher que amamos? Deixamos, até, que nos diga com quem devemos, ou não devemos conviver. Homens há que deixam, por completo, de olhar para outras mulheres, mesmo em trabalho. E, mesmo que seja uma cabra, se o nosso melhor amigo de sempre nos disser que ela é uma cabra, cortamos mais depressa relações com ele do que com ela. Ainda hoje, tento agradar à minha esposa e, acima dela e de mim mesmo, à minha filha. Mas, no meio, estou eu.

Depois, todos nós deixamos que o dinheiro controle a nossa vida. Alguns vão dizer "mas eu nem tenho dinheiro". Ora, leiam com atenção. Trabalhamos 8, 9, 10 horas por dia. Para quê? Para ganhar dinheiro. Porque a vida a isso obriga. Porque temos casa para pagar, bocas para alimentar, e outras coisas básicas de que necessitamos que, sem dinheiro, não podemos adquirir. "Mas isso não é deixar que o dinheiro nos controle", dizem vocês. Mais uma vez, falo por mim. Vivo no medo de perder o pouco que tenho. De que o salário não chegue ao final do mês e de não poder alimentar e vestir a minha filha. Vivo em pânico, com medo de não poder dar-lhe tudo o que merece. De não conseguir providenciar qualidade de vida à minha família. Se isto não é controlo, não sei o que será. É assim que nos mantêm as rédeas curtas, é assim que nos seguram. E, depois, ao fim de um dia extenuante de trabalho, quem quer fazer seja o que for? Ninguém. Até porque, depois de 10 horas de trabalho, chegamos a casa e trabalhamos mais um pouco. O jantar não se faz sozinho, a criança precisa de comer, roupa para lavar, loiça para arrumar. No final do dia, mal me consigo deslocar da sala para a mesa de jantar, quanto mais pensar em me divertir, ou fazer exercício, ou ir beber um copo. Pareço uma marioneta.

Tenho andado a sentir que não tenho qualquer controlo, sobre seja lá o que for, na minha vida. E, para piorar, sinto (e isto é psicológico) que não tenho com quem conversar, que os amigos se afastaram. Mas isto, infelizmente ou não, é a vida. É mesmo assim. Estamos todos nos mesmo barco. Deixamos que outros fatores tomem o leme. Não temos cabeça nem para lidar com os nossos dramas, quanto mais para "ajudar" os outros a lidar com os deles. 

Este final foi um pouco apressado, mas é o que se arranja.

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