Escravatura 2.0
Aquilo que faço é pensar e escrever. Não é uma verdade absoluta, mas a minha veia filosófica.
Já perceberam que estamos a entrar numa nova era? Já pararam para pensar? A maioria das pessoas, que mantiverem os seus empregos, não voltará ao escritório. As empresas descobriram as vantagens do teletrabalho. Poupam em rendas, na luz, água. Tudo passa a ser suportado pelo trabalhador.
Outra coisa que mudou foi a produtividade. Os que estão em casa, já perceberam que trabalham muito mais. Não trabalham mais do que as 8 horas diárias? Ok, nem todos. Creio ter lido que a produtividade, desde o início da pandemia, aumentou em 75%. 75%. É muito por cento.
Estão em casa, sem nada para fazer e o que fazem? Trabalho. Trabalham de manhã, à noite, fins de semana, feriados. Acabam por fazer muito mais que as 40 horas semanais. Conheço dezenas de casos. E recebem por isso? Não, recebem o mesmo (e não vou falar dos que o fazem, mas os patrões os mandaram para casa só com 66% do salário, porque os existem). Não há horas extra, bónus noturno, triplicado pelo feriado. O mesmo salário, o dobro do trabalho.
O próprio Estado forçou a brecha no sistema, favorecendo, uma vez mais, o empregador. Tudo em prol da digitalização do mundo, da quarta revolução industrial. Isto não é um emprego, é uma espécie de escravatura.
Escravatura 2.0?
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