Vida de Criminoso
Saí para a rua e fui entrevistar um criminoso. Ganhei coragem e, sem carregar comigo qualquer objecto de valor, fui entrevistar um criminoso. José António Santo Marinho da Silva Figueira é criminoso profissional português. Não quis ser identificado e, por esse facto, este nome é totalmente fictício.
O Nada Mais Giro - Boa tarde, posso chamá-lo Zé Tó?
Tó Zé - Prefiro Tó Zé, toda a gente me chama Tó Zé, por isso chame-me Tó Zé.
ONMG - Muito bem. O Tó Zé é criminoso?
TZ - Sim, sim. Sou criminoso, na área do roubo.
ONMG - Criminoso na área do roubo?
TZ - Sim. Roubo miudinhos à porta da escola e depois faço uns biscates por aí. Roubo umas carteiras a velhinhas e, só por desporto, mesmo só por desporto, ponho-me ao pé das caixas multibanco à espera que saiam as notas, agarro-as e fujo a correr do pessoal que as está a levantar. É mesmo só pelo desporto, pelo "jogue".
ONMG - Pelo jogging?
TZ - Sim, pelo "jogue".
ONMG - Faz disso profissão?
TZ - Faço, faço disso profissão, mas é um emprego complicado, sabe? É que às vezes os miudinhos não levam dinheiro e tal, mas eu gosto, é uma profissão bonita, muito bonita.
ONMG - E o que rouba?
TZ - Dinheiro, chupas, rebuçados, livros de bonecada, coisas assim, de valor. Uma vez roubei um livro. Pensei que era de banda adesenhada, por que tinha uns desenhos, uns macacos, mas depois percebi que era de matemática. Porra, assustei-me. Dei logo com ele na cabeça do puto, por que a matemática é coisa do Diabo e não se deve brincar com coisas do Diabo.
ONMG - E como é que faz? Quais são as técnicas que utiliza, para fazer esses roubos?
TZ - Ora, eu ponho-me à porta da escola, muito discreto, sério, ali à espera, só à espera. Fico lá a ver se as mães não reparam em mim, - algumas são boas, muito boas, mas isso agora não interessa - e os pais também. É que quando há pais um gajo arrisca-se a levar porrada de criar bicho e não calha bem. Não é bom um homem levar um enchente de tareia no horário de expediente. Então lá sai um chavalo. Eu salto-lhe na frente, aponto-lhe a pistola e digo: "Oh chavalo, manda aí os trocos do lanche.".
ONMG - Você usa pistola para assaltar crianças?
TZ - Sim. De água.
ONMG - Uma pistola de água?
TZ - Sim. A gente pega na pistola e esguicha-lhes água para os olhos. Eles começam a chorar, acagaçam-se e mandam tudo para a gente.
ONMG - Que idade têm normalmente essas crianças?
TZ - Entre sete e oito anos. Já tentei assaltar um miudo de nove anos, mas ele resistiu, começou aos berros e a dizer que ia chamar o pai e coisas dessas, esquisitas, e eu desisti. Não fosse ele revoltar-se. Então agora só assalto miudos ali na zona dos sete, oito anos.
ONMG - Mas os mais velhos têm telemóveis, consolas portáteis e objectos de elevado valor. Isso não lhe provoca interesse?
TZ - Sim, provoca, claro, por que também queria uma "paysation", ou um "ninendo", mas eu não me quero arriscar a levar na tromba, ou arriscar a própria vida, com um desses meliantes. Mais uma vez, um homem anda a trabalhar e não está para se xatear não é? Não vai andar à porrada no emprego, não pode ser, não fica bem. Por isso prefiro não ter telemóveis, nem "paysations" e essas coisas, e fico-me pelos rebuçados.
ONMG - E com as velhinhas? Também usa a pistola?
TZ - Sim, claro.
ONMG - Esguicha-lhes água para os olhos.
TZ - Não. Acha que se pode esguichar água para os olhos das velhinhas? As velhinhas usam óculos, não dá pa esguichar, que a água não passa. Era desperdiçar água.
ONMG - Então o que faz?
TZ - Primeiro tiro-lhes os óculos e depois esguicho-lhes água para os olhos.
ONMG - Ok, muito obrigado pelo o tempo que nos disponibilizou. Continuação de um bom trabalho, é o que lhe desejo.
TZ - Obrigados. Já agora, esse microfone não dá para roubar, não? E o gravador? Acha que posso levar? Hein? Não quer um chupa de coca-cola, roubado ainda agora? Está fresquinho, ainda tem papel e tudo. Uma chicla de mentol? Só foi mascada uma vez.
Esta foi a entrevista possível com um criminoso. Espero que gostem.
O Nada Mais Giro - Boa tarde, posso chamá-lo Zé Tó?
Tó Zé - Prefiro Tó Zé, toda a gente me chama Tó Zé, por isso chame-me Tó Zé.
ONMG - Muito bem. O Tó Zé é criminoso?
TZ - Sim, sim. Sou criminoso, na área do roubo.
ONMG - Criminoso na área do roubo?
TZ - Sim. Roubo miudinhos à porta da escola e depois faço uns biscates por aí. Roubo umas carteiras a velhinhas e, só por desporto, mesmo só por desporto, ponho-me ao pé das caixas multibanco à espera que saiam as notas, agarro-as e fujo a correr do pessoal que as está a levantar. É mesmo só pelo desporto, pelo "jogue".
ONMG - Pelo jogging?
TZ - Sim, pelo "jogue".
ONMG - Faz disso profissão?
TZ - Faço, faço disso profissão, mas é um emprego complicado, sabe? É que às vezes os miudinhos não levam dinheiro e tal, mas eu gosto, é uma profissão bonita, muito bonita.
ONMG - E o que rouba?
TZ - Dinheiro, chupas, rebuçados, livros de bonecada, coisas assim, de valor. Uma vez roubei um livro. Pensei que era de banda adesenhada, por que tinha uns desenhos, uns macacos, mas depois percebi que era de matemática. Porra, assustei-me. Dei logo com ele na cabeça do puto, por que a matemática é coisa do Diabo e não se deve brincar com coisas do Diabo.
ONMG - E como é que faz? Quais são as técnicas que utiliza, para fazer esses roubos?
TZ - Ora, eu ponho-me à porta da escola, muito discreto, sério, ali à espera, só à espera. Fico lá a ver se as mães não reparam em mim, - algumas são boas, muito boas, mas isso agora não interessa - e os pais também. É que quando há pais um gajo arrisca-se a levar porrada de criar bicho e não calha bem. Não é bom um homem levar um enchente de tareia no horário de expediente. Então lá sai um chavalo. Eu salto-lhe na frente, aponto-lhe a pistola e digo: "Oh chavalo, manda aí os trocos do lanche.".
ONMG - Você usa pistola para assaltar crianças?
TZ - Sim. De água.
ONMG - Uma pistola de água?
TZ - Sim. A gente pega na pistola e esguicha-lhes água para os olhos. Eles começam a chorar, acagaçam-se e mandam tudo para a gente.
ONMG - Que idade têm normalmente essas crianças?
TZ - Entre sete e oito anos. Já tentei assaltar um miudo de nove anos, mas ele resistiu, começou aos berros e a dizer que ia chamar o pai e coisas dessas, esquisitas, e eu desisti. Não fosse ele revoltar-se. Então agora só assalto miudos ali na zona dos sete, oito anos.
ONMG - Mas os mais velhos têm telemóveis, consolas portáteis e objectos de elevado valor. Isso não lhe provoca interesse?
TZ - Sim, provoca, claro, por que também queria uma "paysation", ou um "ninendo", mas eu não me quero arriscar a levar na tromba, ou arriscar a própria vida, com um desses meliantes. Mais uma vez, um homem anda a trabalhar e não está para se xatear não é? Não vai andar à porrada no emprego, não pode ser, não fica bem. Por isso prefiro não ter telemóveis, nem "paysations" e essas coisas, e fico-me pelos rebuçados.
ONMG - E com as velhinhas? Também usa a pistola?
TZ - Sim, claro.
ONMG - Esguicha-lhes água para os olhos.
TZ - Não. Acha que se pode esguichar água para os olhos das velhinhas? As velhinhas usam óculos, não dá pa esguichar, que a água não passa. Era desperdiçar água.
ONMG - Então o que faz?
TZ - Primeiro tiro-lhes os óculos e depois esguicho-lhes água para os olhos.
ONMG - Ok, muito obrigado pelo o tempo que nos disponibilizou. Continuação de um bom trabalho, é o que lhe desejo.
TZ - Obrigados. Já agora, esse microfone não dá para roubar, não? E o gravador? Acha que posso levar? Hein? Não quer um chupa de coca-cola, roubado ainda agora? Está fresquinho, ainda tem papel e tudo. Uma chicla de mentol? Só foi mascada uma vez.
Esta foi a entrevista possível com um criminoso. Espero que gostem.
Gostei da tua entervista. Está com humor, bem escrita, bem estruturada. Continua a escrever. Posso us~´a-la na minha turma de CEF?
ResponderEliminarLOL tás lá, gostei da entrevista..LOL.
ResponderEliminarPena os criminosos de Portugal não serem assim tão mansos e usaram pistolinhas de borracha nos seus roubos.
Beijo