A Vida Está Difícil

É verdade, a vida está mesmo difícil. Até para a gatunagem do nosso país. Os ladrões já não podem trabalhar como dever ser. Repare-se, na última terça-feira, houve dois assaltos, ou tentativas de assalto, a duas dependências da Caixa Geral. Uma em Moscavide, da qual resultaram dois refens, e outra em Vila do Conde, aqui pertinho, da qual resultaram duas senhoras a fazerem figuras tristes, deitadas durante minutos, ou horas, de cara no chão a gritarem por ajuda por que estava lá um homem que lhes queria fazer mal (tudo bem, não fosse o homem ter fugido e elas terem continuado lá). Nem no primeiro nem no segundo foram detidos quaisquer suspeitos, mas foram salvos os dois reféns em Moscavidade e as duas senhoras foram, finalmente, levantadas e silenciadas, pois até já parecia mal. Tudo isto aconteceu devido à rápida intervenção da polícia e à lenta movimentação, típica, dos funcionários do banco, que impossibilitaram os assaltantes de levar qualquer dinheiro.
Já hoje, na estação de serviço de Aveiras, um grupo de homens tentou levar a caixa multibanco. Tudo perfeito à excepção do facto de aquilo se situar numa autoestrada e estar, quase sempre, cheio de gente. Logo, o assalto não correu muito bem e a caixa de multibanco foi salva e está bem saúde.
Tudo isto para dizer que, hoje em dia, não se deixam trabalhar os ladrões, o que é, sem dúvida, triste. Anda um homem a tentar criar os filhos, a trabalhar para a família e aparece a polícia, ou as pessoas, que, por acaso, querem encher o depósito dos seus carros, numa estação de serviço - coisa parva, por que, na realidade, quem é vai a uma estação de serviço encher o depósito, ou tomar o pequeno-almoço, ou à casinha de banho? Ninguém, só os ladrões, para roubarem caixas de multibanco. - e estragam o trabalho todo. Eu apoio a gatunagem e acho que se deviam manifestar. Ou então tentar arranjar trabalho como todos nós. Ou se não são de cá e não estão bem, faz favor sair, que a porta está aberta. Roubar ao... Eu ia dizer um palavrão, mas não digo. Acho bem que muitos leiam isto. Este nosso penico à beira-mar plantado não é o Brasil. Nem um país de do terceiro mundo. Ou se dá liberdade à polícia de usar a força, ou começamos nós a usar a força, ou a forca, ou o que estiver à mão. Vão trabalhar malandros.

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