Vida de Desgraças
Ligamos a televisão e ouvem-se desgraças. Nos jornais lêem-se desgraças. É desgraças em casa, desgraças na rua. Desgraças, desgraças e mais desgraças.
É a crise que não passa. A falta de dinheiro. O Zé, que caiu não sei onde. Os clientes que não aparecem. A população a emigrar. Tudo são desgraças. "Como estás?", perguntam uns, "Nunca pior.", respondem os outros. Antes eram os velhos, hoje são, também os novos. "Tenho aqui uma maleita.", dizem. "Fui despedido.", lamentam. Tudo são desgraças.
Levantamo-nos, de manhã, para enfrentar um mar de muros, a que chamamos problemas. Enfrentamo-los. Enfretamo-los de cabeça baixa e batemos, neles, com toda a força, abrindo feridas profundas, aumentando a desgraça. Doenças, desemprego, falta de condições de vida, um governo que não presta. É uma vida de desgraças.
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