O Príncipe Sapo

Não, não é um texto sobre algum patinho feio, que virou cisne. Nem sobre uma princesa, que decidiu fazer sexo oral a um sapo e este virou príncipe. É sobre mim, porque sou egocêntrico.

Quem me vê, não vê um homem alto e espadaúdo. Mas vê alguém largo de ossos que, vestido, parece um rato de ginásio - despido já é outra história, uma vez que parece que roubei um ou dois pneus ao boneco da Michelin. E quem me conhece, minimamente, sabe que sou algo rude, tenho um aspeto duro (acho eu, se calhar não) e não sou frágil, tipo boneca de porcelana, da loja dos chineses.

Aqui entra o sapo. Este culturista de trazer por casa, esta fera da vida, tem medo desse bicho. Bem, desse bicho e de uns quantos outros que rastejam. Basta aparecer uma lagartixa e saio a correr. Não importa se é grande, ou muito pequena, fujo, como as criancinhas do papão. Aos gritos. Lembram-se do senhor do "PONHA, PONHA, PONHA"? Pois, eu faria o mesmo, ou pior ainda. Se vir um sapo, ou uma rã minúscula, no passeio, eu atravesso a rua. YACK!

Ainda no fim de semana, estava descansado molhar a mão no rio - que coisa mais abichanada (vêm o machismo?) - quando algo saltou para a água. Aqui vosso amigo saltou, também, mas para bem longe. Toda a gente se riu, especialmente o meu cunhado, que atirou uma pedra, para me assustar. Já ontem, no trabalho, a empregada da limpeza veio-me pedir para apanhar uma lagartixa, que tinha decidido entrar para a loja e andava lá a passear, toda contente. Eu, armado em forte e corajoso, lá fui. Fiquei aí a 10 metros do bicho, a desejar que se fosse embora pelas suas patinhas. E não é que foi. Foi para trás de uma secretária, para dentro de uma calha cheia de fios. Não quero saber se saiu, ou não. Escondida não me incomoda.

Este texto é sobre o meu, super racional, medo de répteis. Ai de alguém que me goze.

Comentários

Mensagens populares