Sobre Monstros e Homens II

Todos, sem excepção, alimentamos "monstros". Diferimos, apenas, em quais decidimos alimentar.

Não sou exemplo, nem quero ser, para ninguém, mas se a minha forma de fazer as coisas servir a uma única pessoa que seja, já fico contente por ajudar. E isto é A MINHA forma de fazer as coisas.

Acredito que a maioria da nossa vida é vivida nas nossas cabeças, na forma como percepcionamos o mundo. Tendemos a encontrar problemas onde eles não existem. E eu tenho o hábito de fazê-los parecerem maiores do que realmente são e de me preocupar com coisas mínimas, que não interessam, nem vão estar cá, no dia em que morrer - daqui a muitos anos, espero.

Grande parte dos dias, ando deprimido, cheio de coisas para resolver, sem saber para onde ir. Sinto que a única forma de acabar com esses "problemas" é partir deste mundo. É um pensamento que me acompanha há vários anos e vem bater à porta quase todos os dias. No entanto, isso só acabaria com os meus "problemas", deixando maiores para quem cá fica.

Todos os dias a minha mente quer ficar na cama. Ao menos lá não há dessas coisas. E é aqui que entra a minha filosofia - filosofia barata.

Para mim, o truque é fazer. É seguir em frente. Não há outra solução. Saio da cama, tomo banho, bebo o meu café, escrevo, leio. Simplesmente, faço, mesmo que o meu ego me queira seguro. Faço algum exercício, mexo-me. Vou trabalhar, mesmo não querendo. Dou o meu melhor. Volto para casa, brinco com a minha filha e aproveito o tempo com a minha mulher. Os "monstros" não me largam, mas, como faço com pessoas chatas, faço ouvidos moucos. Tento não lhes ligar.

O que funciona, comigo, é isso, fazer. Brinco, porque acredito que não devemos perder contacto com a nossa criança interior - e eu perdi um pouco, cedo demais (ainda era criança, talvez por influência da negatividade da minha progenitora). Divirto-me, faço coisas que gosto: ouço música, vejo filmes, como "porcaria" (com moderação), toco música, bebo álcool (também com moderação, mas menos). Medito, o que, para muita gente, pode ser assustador, e é - não é fácil ficar sozinho com uma mente depressiva, ou "complicada", dar de caras com os nossos "demónios". Simplesmente faço.

O caminho, na vida, é em frente. Não podemos voltar atrás, e o que vem à frente virá. Os pensamentos estão sempre lá, mesmo que os queiramos "calar". Para mim, o segredo é, simplesmente, seguir. Esta jornada, que temos pela frente, é de constante aprendizagem e não há um destino a alcançar, apenas uma viagem a fazer. Como quando vamos de férias, só temos de aproveitar ao máximo o nosso tempo aqui. Viver momento a momento. Isso não quer dizer que os problemas desaparecem, que vamos estar sempre contentes. Pelo contrário. Mas a vida é assim mesmo. As merdas acontecem. As pessoas que amamos vão falecer, também, vamos discutir, bater com o carro, perder dinheiro. Ainda assim, todas estas coisas, só são boas ou más, conforme o valor que lhes damos e a importância que nelas aportamos.

Isto é o que tem resultado comigo. Medicação nenhuma te vai ajudar, se não te ajudares a ti, primeiro. Para mim, funciona andar em frente. Fazer as coisas, mesmo que a minha mente me diga que não. Sem desistir. Li algures que "ser positivo não significa ter só pensamentos positivos. Significa que não deixamos os pensamentos negativos controlar a nossa vida". É isto que tenho tentado fazer. Aprendendo pelo caminho.

Este texto também é para mim, ou é-o até mais. Para me lembrar do que é importante. Segue, faz.

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