Not Your Kind

Sou ovelha negra. Sempre fui. Começa na música que ouço e vai por aí fora. Por norma não sigo a norma. Não casei como os outros, não festejo como os outros e faço por não pensar como os outros. Sou um pouco extremista. Sou muito rude. Negro até aos ossos, mas a medula é mole, tipo ursinho de peluche.

Sim, faço piadas racistas, xenófobas, homofóbicas e outras coisas do mesmo género. Porque se não brincarmos com as coisas sérias, a vida é uma caca e porque adoro humor negro. Mas não descrimino e rejeito uma sociedade que o faça, seja por que razão for.

Sim, tenho medos. Odeio cobras e sapos, apesar de ser fascinado por eles, como por qualquer outro animal, no entanto, não vou exigir a sua extinção, ou que outros não gostem deles.

Não tenho medo de morrer. Vou morrer. Hoje, amanhã, daqui a muitos anos (espero), ninguém sabe. Alguma cartomante? De doença, acidente, a cagar na sanita, não sei, mas vou e tu também vais.

Parece que agora todos descobriram que existem vírus e bactérias. É uma coisa nova (sempre existiram, aos milhares de milhões, e vão continuar a existir, pois uma sociedade estéril não existe). Até há um ano atrás beijava-se qualquer uma, hoje ainda pinam com qualquer uma, mas de máscara, mesmo que não haja camisinha.

Sempre se encheram recintos, discotecas, bares, sempre beijámos e abraçámos. Mesmo em alturas epidémicas e pandémicas. Hoje há quem diga que nunca mais aperta a mão a ninguém. É o que acontece quando deixamos os germofóbicos hipocondríacos engenheiros sociais ditar as regras (Hitler e Mussolini eram germofóbicos, chegaram a proibir apertos de mão, xiu, não contem ninguém).

Sou anti-social e não fico nada confortável com contacto físico, especialmente de quem não conheço. Ainda assim, até eu percebo a importância de um abraço ou um carinho. E não tenho medo de seres humanos. Eu abraço, aperto mãos e dou beijinhos.

Sou ovelha negra e vou continuar a ser.

I am not your kind.


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