Livro Sem Capa

Tendemos a julgar os livros pela capa.

O Homem tem esta tendência de ver o mundo, não pelo mundo, mas pelos seus olhos. Pelas suas crenças e opiniões. Para nós, a vida é o que nós achamos que é. Não necessariamente a realidade.

A vida é vida. Um dia, dois, uma semana, um ano, dez, cem. A vida move-se a seu bel prazer. A vida não quer saber dos nossos desejos e planos, nem das nossas crenças. A vida é a vida. Chamem-lhe destino, chamem o que quiserem.

A realidade, fazendo parte da vida, é o que é também - lógico. Deus é grande, para quem é grande. Para mim é uma construção abstrata da humanidade, porque precisa acreditar em algo mais forte, fora de si, que lhe dê esperança. A realidade? É ambas as coisas e muito mais.

Como observamos a vida através dos nossos filtros, da mesma forma julgamos os outros - todos o fazemos, não sejam hipócritas. Achamos que somos melhores ou piores, que a nossa forma de fazer é a correta e as outras erradas, que os outros, porque não acreditam no mesmo que nós, são parvos, etc. Mas isso não é a realidade. A realidade é que somos todos diferentes. Umas vezes concordamos, outras discordamos. Uns martelam pregos com chaves de fenda, os outros usam o martelo. No entanto, todos tentamos o nosso melhor, para chegar a algum lugar (normalmente é a morte e toca a todos, aí somos todos iguais, cinzas).

Ser médico não faz de ti mais inteligente que um trolha, ou varredor de rua. Simplesmente estudaste mais e, quem sabe, o varredor até estudou, no entanto a única porta que lhe abriram foi aquela. Os intelectuais não são só de esquerda, ou de direita, são pessoas curiosas, que gostam de ler e questionar o mundo à sua volta. Já estão a entender onde quero chegar.

O livro pode ser preto, amarelo, cinzento, ter todas cores do arco-íris na capa. Se não o abrires para ver o que está no seu interior, vai sempre ser uma concepção das tuas crenças e juízos. E mesmo depois de aberto e lido, vais sempre passá-lo pelos teus filtros, o que pode não corresponder à realidade.

Tendemos a julgar os outros, por aquilo que somos.

Não escrevo factos, só opiniões.

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