Dissertando Sobre os Pecados: Inveja



A inveja, essa velha aliada do ser humano. Porque a galinha da vizinha sempre foi melhor do que a minha, a inveja tem andado connosco, desde o início dos tempos. Os homens das cavernas invejavam a mulher do vizinho. Pegavam na moca e partiam para a violência, roubando-a. Os povos invejam a riqueza uns dos outros. Travam-se guerras, destruíram-se impérios. Civilizações foram dizimadas. A inveja vive dentro de nós. Ainda que tentemos reprimi-la, esconde-la no mais recôndito dos lugares do nosso corpo, ela continua lá, à espera de sair. Ou é porque a saia dela é mais bonita do que a minha, ou porque o carro dele anda mais do que o meu, ou porque ele é rico e eu sou pobre. Tudo isto é pura inveja. É um sentimento mesquinho, depravado. É o nosso gémeo endiabrado a querer vir brincar. A inveja desperta em nós o monstro que sempre fomos. A inveja é a irmã gémea da avareza. Os dois pecados originais. Eva comeu a maçã por avareza e porque sentiu inveja da liberdade, dos outros animais, que podiam comer o que quisessem, incluindo maçãs. A inveja, o pecado capital por excelência. Se não for a nossa morte, será a morte de outro qualquer.

Punido, por Deus, acariciado por magnatas e senhores do universo. A inveja vive e viverá no mesmo mundo que nós. Dormirá na mesma cama. Partilhará a mesma comida. A inveja é feia, dura e mortal. Fujam dela, antes que ela vos domine. A inveja.

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