Dissertando Sobre os Pecados: Luxúria


Chegamos, pois, ao final. A luxúria é o último dos pecados. Aquele que é, por norma, mais publicitado e mais proclamado pela igreja católica. Se os outros são portas para o inferno, a luxúria é um auto-estrada. Sem portagens, sem curvas, ou saídas desnecessárias. Diretamente para o inferno, para o lado de Belzebu. 

Parece haver medo, por parte da igreja, que o povo pratique o sexo. O sexo pelo sexo. O sexo com amor. As taras e manias. As loucuras e aventuras de cada um. Tudo é condenado. Sexo? Só depois do matrimónio - diferente do casamento - e com fins reprodutivos, apenas. E não há cá preliminares e experimentar posições do Kamasutra. É missionário, com domínio do homem. Isto, é reprimir o nosso lado mais humano. A nossa natureza viva. É retirar toda a importância de sermos o que somos. Sexo é alegria, é felicidade, é amor pelo outro, é aventura, é criatividade (ou devia ser), é bem-estar, é... Um sem fim de coisas boas. Coisas que o mundo católico prega e defende, desde que se não se alcancem através do sexo. Pois, o sexo é sujo e é causador de violência e outras atrocidades.

Perdoe-me, padre, porque pequei. Pequei. Todos pecámos. Seja a gula, seja a avareza, a inveja, a preguiça, a soberba, ou a ira. Todos os cometemos. Todos os abraçámos como nosso, como extensão do nosso ser. Umas vezes com prazer, outras vezes com remorso, mas todos somos pecadores. Mas todos, sem excepção, incluindo os que fazem juras de recusa e celibato, cometemos o pecado dos pecados. Todos nos subjugamos à luxúria, essa meretriz, esse antro de prazer e boa disposição. E qual é o mal? Não é. Só é bem. Perdem os que se escondem atrás do manto de Deus e não descobrem o bom do lado diabólico sexual. Sexo é, no fundo e acima de tudo, vida.

Se vou parar ao inferno. Se tenho, já, o meu lugar marcado em casa do mafarrico, deixem-me ir. Levem-me já para lá. Como Sansão, a quem o cabelo dava poder, a mim ninguém pode roubar o sexo. A descoberta do meu corpo e do corpo do outro. A descoberta do prazer pelo prazer. A vida. Se é para ir, levem-me já, porque eu nunca, nunca, vou deixar de pecar e de pecar abertamente e, se for necessário, mesmo em público.

Senhores e senhoras, a luxúria.

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