Quando era Pequenino
Lembro-me dos tempos de criança. Dos tempos em que não havia preocupações. Em que todas as decisões eram tomadas com base numa simples premissa. No "quero", ou "não quero fazer isto". Lembro-me de brincar na rua, até tarde. Lembro-me de não estudar, quando devia estudar. Lembro-me que tudo era diversão. Lembro-me de tudo fazer sentido, sem ter de questionar a sua origem. Lembro-me dos meus tempos de criança.
Quando é que, repentinamente, tivemos de assumir tantas responsabilidades? Quando é que todas as nossas decisões passaram a basear-se no que precisamos de fazer, em vez de se basearem no que gostamos e queremos fazer? Quando assumimos, como nossa, a extrema necessidade por bens materiais, como se de assuntos de vida ou morte se tratassem? Quando nos perdemos na busca, incessante, por respostas e explicações para tudo o que era misterioso? Quando nos perdemos, definitivamente? Quando?
Hoje, penso que ser criança é o melhor da nossa vida. Tenho pena das crianças que são, pelos pais, ou por circunstâncias da vida, ou por estupidez, obrigadas a crescer abruptamente. Hoje, penso que, como o Principezinho, não quero crescer. Não quero mais ser adulto. Não quero responsabilidades. Não quero dinheiro, não quero precisar dele. Hoje, penso que quero voltar a ser criança. Não que o tenha deixado de ser, mas sinto-me obrigado a deixar. Sinto-me forçado a deixar de sonhar acordado, a deixar de voar. Porque, um dia, vindo do nada, somos assaltados pelo peso de ser "adultos".
Lembro-me, perfeitamente, dos tempos de criança. Dos tempos em que criava histórias mirabolantes, com os meus bonecos. Em que tudo era bom para fazer um filme. Onde havia penhascos, aventura e loucura q.b.. Lembro-me de quando era pequenino. De quando tudo era fácil, mesmo que os problemas e responsabilidades dos adultos, à nossa volta, nos tocassem.
A propósito do que escreveste, lê o poema de Álvaro de Campos, Aniversário.
ResponderEliminarEstá lá tudo. Grande Fernando Pessoa!
Estamos a ficar velhos. :)
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