Do Medo

Este blogue começa a parecer mais de auto-ajuda, do que outra coisa.

Vivemos e baseamos todas as nossas decisões numa coisa e numa coisa só. No medo. Mas no medo de quê? De morrer? Porquê temer a única inevitabilidade da vida?

Não compramos, porque temos medo de morrer. Não mudamos, porque temos medo de morrer. Não viajamos, não nos divertimos, não nos aventuramos. Estamos, constantemente, assoberbados pelo medo. Tememos a morte, quando, na verdade, devíamos temer não ter vivido o suficiente. A morte, a essa, ninguém foge e, na maioria dos casos, chega sem aviso. Pode ser hoje, amanhã, daqui a um ano, ou cem. Ninguém sabe.

O ser humano é demasiado resiliente. Tem-se vindo a adaptar às circunstâncias do mundo, há milhões de anos. Por isso, nem que todo o dinheiro e armamento do mundo estivessem na posse de uma só pessoa, o resto ia sobreviver e encontrar formas de o fazer da melhor maneira possível. Voltávamos a caçar, a cultivar a terra. Fazíamos revoluções. Num cenário pós-apocalíptico, continuaríamos cá, neste planeta, a viver, dia após dia.

Daí, eu digo, façam. Se querem viajar, viagem. Vendam o carro, a casa, o que for, mas vão. Se querem saltar de um avião, saltem. Saltem de um prédio, montanha. Não vivam com arrependimentos. "Ah! Quando me reformar vou fazer e acontecer". Más notícias, nem sabemos se chegamos à idade da reforma. O tempo, a vida, é agora, neste momento. O amanhã não nos é garantido e o ontem foi, para não mais voltar. Não tem de ser extraordinário, não têm de largar o vosso emprego, nada disso. Têm somente de viver.

Estou quase a meio dos 30's. Fiz tanta coisa nesta vida (nem me apercebi disso, até há pouco). Já vi África e as Caraíbas. Toquei para dezenas de pessoas e para duas pessoas. Andei de mota, de avião, de barco. E ainda não fiz, sequer, um por cento daquilo que o mundo nos oferece. A verdade é que não conseguimos, porque é o nosso mecanismo de defesa, viver sem medo, mas podemos controlá-lo e agir, mesmo que ele esteja presente. E foi nos momentos que o fiz, que as coisas mais incríveis me aconteceram.

Tomamos as nossas decisões, dia-a-dia, com base no medo. Para mim, no medo de morrer. Só que esse medo é infundado. Não queiram, no vosso leito de morte, arrepender-se das coisas que podiam ter sido e não foram. Medo de quê? À morte ninguém escapa, é um pena deixarmos escapar a vida.

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