Novo Síndrome
Aqui vai mais uma das minhas filosofias. Há um novo síndrome
à solta. Uma doença terrível, que pode ter graves consequências. É um flagelo
nacional de elevada escala. Uma desgraça. É o síndrome do “é muito caro”.
Já todos conhecemos o síndrome “não tenho dinheiro”. Está
implementado na nossa sociedade há centenas, senão milhares, de anos. Está de
tal forma enraizado que já faz parte de nós. A grande maioria dos portugueses,
ao nascer, não chora, diz: “Desculpe Sr. Dr., mas não tenho dinheiro.”. É um
traço cultural do nosso país. Tão marcante, que até os turistas e imigrantes
adoptam, como sua, esta característica. No entanto, continuámos a gastar
dinheiro à parva, aquando da chamada época das “vacas gordas” (nunca percebi
esta expressão. As vacas que conheço são todas gordas, mesmo agora que se fala
de crise e seca. As vacas sempre foram gordas.). E, mesmo agora, o fazemos.
Quantas vezes não ouvimos alguém, no supermercado, queixar-se da falta de
dinheiro para comprar um litro de leite e, dez minutos depois, estão na
sapataria a gastar 100 euros num par de sapatos?
Desde que se ouve falar de “crise”, introduziu-se uma nova
moda. A moda do “é muito caro”. As duas primeiras coisas que alguém profere, ao
entrar num estabelecimento comercial, são: “Preciso disto, ou daquilo, mas é
muito caro.”. Se acha que é caro e sabe que não vai comprar, porque raio entra
na loja e diz que precisa do produto? Só para chatear. Não percebo. Sejam 30 cêntimos,
ou 30 euros, a convicção é sempre a mesma: “Xiiiiiii… É muito caro.”. Para os
piegas deste país tudo é caro, até os produtos grátis. O leite é caro, a água é
cara, o arroz é caro, o papel é caro… Todos os bens essenciais são extremamente
caros. Só não percebo porque estão as agências de viagem cheias. As sapatarias
mais caras ainda vendem. As lojas de roupa tenho-as visto bem compostas. E o
IKEA… Bem, o IKEA nem se fala. Será que, hoje em dia, são esses os bens
essenciais? Será que sou eu que tenho as prioridades trocadas? Se calhar, sou.
Mas porque é isto um flagelo? Porque obriga-nos,
comerciantes, a agir como mercadores árabes. A tentar regatear tudo. Algo que
eu, como bom comerciante, não faço. Se quisesse viver como um comerciante de um
mercado marroquino ia vender “frô”, ou “tápête”. Ou, se quisesse actuar como um
empresário chinês, abria uma loja de produtos com uma esperança de vida quase
tão grande como a de uma borboleta (alguns minutos). Chegaram, já, a pedir-me
desconto numa embalagem de ganchos para cabelo. Embalagem essa que possui 10
ganchos a um preço exorbitante de 30 cêntimos. Se fizesse o desconto, vivia do
quê? Ar e vento? Eu sou bem robusto. Ar e vento não me alimenta. Vamos lá a
parar de tentar negociar comigo, ok? É aquele o preço a pagar e não se fala
mais nisso.
Está a criar-se um monstro, capaz de destruir toda a indústria
nacional, à excepção da de produtos que não interessam nem ao menino Jesus.
Menino Jesus que, diga-se, está a fazer um óptimo trabalho no Benfica. Ele e os
seus 26 apóstolos. Vamos lá a mudar o disco, que o “é muito caro” já cansa.
E aproveito para dizer que a minha loja não vende produtos.
Oferece bem-estar e cuidados essenciais para os seus acessórios mais
importantes, o seu cabelo e o seu corpo. Tudo isto acompanhado de um sorriso e
grande simpatia e bom humor.
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