Ser Homem
As mulheres teimam em dizer que nós, homens, somos seres
básicos. Que não as compreendemos. E outras coisas que tais. Mas enganam-se.
Ser homem é muito complicado.
Começamos por ter de entender as mulheres. E, se há coisa
difícil, é entender uma mulher. Ora tem frio. Ora tem calor. Ora quer um cão.
Ora prefere um gato. Ora isto. Ora aquilo. Puxa discussões porque quer atenção.
Provoca-nos mesmo quando não quer sexo, ou, sequer, contacto connosco. Nunca
estão bem com nada e em lado nenhum e são mais rápidas a tornar algo obsoleto
do que a própria evolução da tecnologia. Se perceber todas estas oscilações e
manias não faz de nós um ser especial, não sei o que faz.
Depois, um homem tem coisas que uma mulher não tem. Temos
de, todos os dias, corta uns pelos teimosos que insistem em crescer-nos na
cara. “Ah, nós fazemos depilação.” – dizem elas. Pois, mas não é todos os dias
e, graças a vocês, nós, hoje em dia, também fazemos. Um homem tem momentos que
se podem tornar embaraçosos. Uma erecção, num espécime masculino, nota-se. De
modo que, provocações em público são totalmente desnecessárias. E o pior é que
o apêndice externo tem vontade e vida própria e, na maioria dos casos, acorda
em sentido todos os dias. Todos, sem excepção. O que pode ser chato. Ainda
relacionado com o amigo do peito, não há relato nenhum de “sonhos molhados” por
parte de mulheres, ao passo que, quase todos nós machos, já passámos
por isso. Acordar com a cama molhada devido a um qualquer sonho mais atrevido.
Ok, vocês têm menstruação uma vez por mês. Mas, para quem vive em comunhão, nós
também. Não há sexo. Passamos o dia a resmungar. Ficamos chatos. Tudo por
simpatia e porque as senhoras nos põem assim, só com a desculpa de que estão
com o período. É, ou não é complicado.
E, por fim, a maioria das mulheres contam com um homem para
tudo. Muitas delas chegam, até, a arranjar homem só porque precisam de alguém
que faça uns biscates de graça. É que presumem que, por sermos homens, sabemos
fazer tudo. Ele é mudar lâmpadas. Pendurar quadros. Arranjar aparelhos
electrónicos. Tudo. Desde concluir que o problema do carro é no radiador
(solução típica, alcançada por qualquer homem), até desentupir o ralo da
banheira. Um homem, só porque nasce homem, sabe de todas estas coisas. Mas não
é assim tão verdade. Dando-me como exemplo, a minha falta de jeito (e vontade)
para efectuar este tipo de tarefas e monumental. Qualquer arranjo, por mim
feito, com sucesso é sinónimo de celebração. Eu, o homem que pendura quadros
com fita-cola. Mas, ainda assim, elas continuam a contar que nós façamos tudo o
que tem de ser feito em casa. No carro. Na bicicleta. No computador. Na
máquinas de lavar. Na vizinha de cima, ou de baixo. Somos os super-heróis dos
pequenos arranjos.
Por isso, meninas, está na altura de pararem de nos chamar
básicos. Nós temos uma vida complicada. Muito complicada. Mas, mesmo básicos,
como nos pintam, nós estamos muito bem. Não temos o período. Sabemos com
certeza o que queremos. Vivemos bem em qualquer lado. Não queremos saber se o
sofá é castanho ou bege. A nossa forma básica de ser é que nos torna a vida
mais fácil e torna mais fácil viver em comunhão com a complexidade do ser
feminino. É tão bom ser homem.
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