O Detetive
Hoje decidi escrever um conto, ou algo do género.
Gerónimo Silva, detetive privado.
Numa tarde de verão, sentado no seu escritório a beber um copo de whisky com gelo, Gerónimo Silva recebeu uma chamada enigmática.
- Sr. Silva, - disse a voz do outro lado do auscultador - tenho um serviço para si, se decidir aceita-lo.
Era um homem e nem disse o nome, apenas ao que vinha.
- Roubaram-me algo precioso. Não lhe posso dizer quem sou, mas dar-lhe-ei todas as indicações, para que possa descobrir o culpado. - disse o homem - Recorro a si, porque não quero envolver as autoridades. Sei que é bom naquilo que faz.
- Sim, continue. - respondeu Silva.
- O bem foi roubado de minha casa. - prosseguiu o cliente - Os gatunos entraram por uma janela e voltaram a sair, pelo mesmo local. A morada é na Rua do Beco, número 4444. Ofereço-lhe 1,000,000€. Só há um senão. O detetive terá de entrar pela mesma janela e só poderá procurar nos locais em que os ladrões estiveram. Todos os objetos, que possam levar à minha identificação, foram retirados, por isso, não tente descobrir quem sou.Tem 24 horas.
- 24 horas? Não sei se...
- Tem 24 horas e nem mais um minuto. Aceita? - perguntou o homem.
- Bem... Aceito. - respondeu Silva.
Do outro lado desligaram a chamada. Silva pousou o auscultador, pegou num bloco e numa caneta e saiu correndo. Voltou atrás para pegar no seu chapéu de aba. Nunca saía sem ele.
Silva conduziu o mais depressa possível. Em 20 minutos estava na morada indicada. O número 4444, da Rua do Beco, era uma casa abandonada, de estilo senhorial. A tinta já tinha sido carcomida, sobrando somente o cimento nas paredes. O telhado estava cheio de folhas e ervas. Tinha dezenas de janelas, distribuídas por dois majestosos andares. Os jardins não eram cuidados há anos e o portão estava coberto por sebes. Tudo lhe pareceu demasiado estranho. Mas Silva, que não era homem para fugir de desafios e, muito menos, de um bom pagamento, decidiu continuar.
Aproximou-se do portão e empurrou-o, abrindo apenas o suficiente para caber. Entrou. Um calafrio percorreu-lhe a espinha e a dúvida assaltou-lhe a mente. Levantou a cabeça e seguiu. Percorreu o jardim até à casa e contemplou, com espanto, tamanha ostentação.
- Meu Deus, de quem terá sido esta merda? - indagou, para si próprio.
Circundou a mansão, para encontrar a janela de entrada. Mas todas as janelas pareciam fechadas.
- Como vou descobrir por onde entraram. São dezenas de janelas. Estou fodido. - comentou, em voz alta.
Contornou toda a casa e voltou ao início, colocando-se de frente para a enorme porta de entrada. Observou todas as janelas da frente. Olhou o portão. Reparou que havia casas, menos abandonadas do outro lado da estrada.
- Não, não entraram por este lado. - constatou - Era perigoso demais.
Decidiu, então, regressar às traseiras. Olhou para o fundo do jardim e reparou num casebre, com uma janela partida, quase encostado ao muro da casa. Foi investigar. Aproximou-se e enfiou a cabeça na janela. Dentro viu uma porta no chão, um alçapão.
- Uma cave, talvez. - pensou.
Com algum esforço, enfiou-se pela janela e entrou. Olhando à volta não vislumbrou nada que pudesse comportar valor. Aproximou-se do alçapão e espreitou. Uns pequenos degraus desciam, para o seu interior. Mas não havia luz. Decidiu, então, regressar ao carro, para ir buscar uma lanterna.
Regressado ao casebre, agora munido de iluminação, o detetive ganhou coragem e desceu os degraus.
- Que merda é esta?! - questionou em voz alta, mesmo sabendo que não obteria resposta.
Apontando a lanterna para baixo das escadas, vê um túnel que seguia na direção da casa. Silva seguiu-o, com cautela e passos muito curtos. O medo começava a tomar conta dele. O túnel nada apresentava. As paredes cinzentas, do cimento, e despidas. Era só isso mesmo, um túnel.
Ao chegar ao fim, Silva repara numa porta. Uma porta de ferro, entreaberta. Do seu interior saía um som familiar. Algo chiava lá dentro. Algo em metal. Silva aproximou-se e empurrou-a. Apontou a lanterna para o seu interior e, muito ruidosamente, exclamou.
- FODA-SE!
- É melhor dar os medicamento ao gerónimo, que já está a tentar entrar na casa-de-banho das senhoras e já anda outra vez a contar histórias. - disse o enfermeiro do hospital psiquiátrico.
Gerónimo Silva, detetive privado.
Numa tarde de verão, sentado no seu escritório a beber um copo de whisky com gelo, Gerónimo Silva recebeu uma chamada enigmática.
- Sr. Silva, - disse a voz do outro lado do auscultador - tenho um serviço para si, se decidir aceita-lo.
Era um homem e nem disse o nome, apenas ao que vinha.
- Roubaram-me algo precioso. Não lhe posso dizer quem sou, mas dar-lhe-ei todas as indicações, para que possa descobrir o culpado. - disse o homem - Recorro a si, porque não quero envolver as autoridades. Sei que é bom naquilo que faz.
- Sim, continue. - respondeu Silva.
- O bem foi roubado de minha casa. - prosseguiu o cliente - Os gatunos entraram por uma janela e voltaram a sair, pelo mesmo local. A morada é na Rua do Beco, número 4444. Ofereço-lhe 1,000,000€. Só há um senão. O detetive terá de entrar pela mesma janela e só poderá procurar nos locais em que os ladrões estiveram. Todos os objetos, que possam levar à minha identificação, foram retirados, por isso, não tente descobrir quem sou.Tem 24 horas.
- 24 horas? Não sei se...
- Tem 24 horas e nem mais um minuto. Aceita? - perguntou o homem.
- Bem... Aceito. - respondeu Silva.
Do outro lado desligaram a chamada. Silva pousou o auscultador, pegou num bloco e numa caneta e saiu correndo. Voltou atrás para pegar no seu chapéu de aba. Nunca saía sem ele.
Silva conduziu o mais depressa possível. Em 20 minutos estava na morada indicada. O número 4444, da Rua do Beco, era uma casa abandonada, de estilo senhorial. A tinta já tinha sido carcomida, sobrando somente o cimento nas paredes. O telhado estava cheio de folhas e ervas. Tinha dezenas de janelas, distribuídas por dois majestosos andares. Os jardins não eram cuidados há anos e o portão estava coberto por sebes. Tudo lhe pareceu demasiado estranho. Mas Silva, que não era homem para fugir de desafios e, muito menos, de um bom pagamento, decidiu continuar.
Aproximou-se do portão e empurrou-o, abrindo apenas o suficiente para caber. Entrou. Um calafrio percorreu-lhe a espinha e a dúvida assaltou-lhe a mente. Levantou a cabeça e seguiu. Percorreu o jardim até à casa e contemplou, com espanto, tamanha ostentação.
- Meu Deus, de quem terá sido esta merda? - indagou, para si próprio.
Circundou a mansão, para encontrar a janela de entrada. Mas todas as janelas pareciam fechadas.
- Como vou descobrir por onde entraram. São dezenas de janelas. Estou fodido. - comentou, em voz alta.
Contornou toda a casa e voltou ao início, colocando-se de frente para a enorme porta de entrada. Observou todas as janelas da frente. Olhou o portão. Reparou que havia casas, menos abandonadas do outro lado da estrada.
- Não, não entraram por este lado. - constatou - Era perigoso demais.
Decidiu, então, regressar às traseiras. Olhou para o fundo do jardim e reparou num casebre, com uma janela partida, quase encostado ao muro da casa. Foi investigar. Aproximou-se e enfiou a cabeça na janela. Dentro viu uma porta no chão, um alçapão.
- Uma cave, talvez. - pensou.
Com algum esforço, enfiou-se pela janela e entrou. Olhando à volta não vislumbrou nada que pudesse comportar valor. Aproximou-se do alçapão e espreitou. Uns pequenos degraus desciam, para o seu interior. Mas não havia luz. Decidiu, então, regressar ao carro, para ir buscar uma lanterna.
Regressado ao casebre, agora munido de iluminação, o detetive ganhou coragem e desceu os degraus.
- Que merda é esta?! - questionou em voz alta, mesmo sabendo que não obteria resposta.
Apontando a lanterna para baixo das escadas, vê um túnel que seguia na direção da casa. Silva seguiu-o, com cautela e passos muito curtos. O medo começava a tomar conta dele. O túnel nada apresentava. As paredes cinzentas, do cimento, e despidas. Era só isso mesmo, um túnel.
Ao chegar ao fim, Silva repara numa porta. Uma porta de ferro, entreaberta. Do seu interior saía um som familiar. Algo chiava lá dentro. Algo em metal. Silva aproximou-se e empurrou-a. Apontou a lanterna para o seu interior e, muito ruidosamente, exclamou.
- FODA-SE!
- É melhor dar os medicamento ao gerónimo, que já está a tentar entrar na casa-de-banho das senhoras e já anda outra vez a contar histórias. - disse o enfermeiro do hospital psiquiátrico.
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