Um Grunho e Um Merdas

Quero começar por pedir desculpas, pela linguagem no título, e avisar que a mesma se poderá repetir ao longo do texto.

Muito se tem falado, ao longo deste ano, das praxes. Uns contra, outros a favor. Como já o disse, algumas vezes, não sou contra esta prática e fiz, em tempos, parte dela. Fico, portanto, feliz por saber que sou um grunho, um merdas.

O senhor Luís Pedro Nunes, comentador, ou lá como se chama aquilo que ele faz, do programa "Eixo do Mal", apelidou, assim, os participantes das praxes. Tanto os que praxam, como os que são praxados. Tem, como todo o mundo, que se diz habitante de um país livre, direito à sua opinião. Do mesmo modo, eu tenho direito à minha. Fui praxado e com todo o gosto. Fiz amizades, diverti-me, participei em atividades académicas. Podia tê-lo feito sem ir à praxe? Claro que sim. Talvez não nas mesmas atividades, mas noutras. Tinha feito conhecimentos na mesma. Aliás, fiz muitos conhecimentos, junto de colegas que não iam à praxe. Ninguém mo proibia. Nunca fui mal tratado, nunca fui insultado e nunca me senti desrespeitado. Há, como em qualquer outro lado, gente boa e gente má. Por estes motivos, sinto-me bem em ser um grunho e um merdas.

Mas, admito, a praxe não é para qualquer um. Não é para os fracos de estômago. Como nunca quis saber o que pensam, ou dizem de mim. Só a minha opinião, sobre mim mesmo, me interessa. Passar por tais "atos atrozes" não me fez qualquer confusão. Como penso pela minha cabeça e não me sinto obrigado a fazer seja o que for, decidi embarcar naquela aventura. Como me estou nas tintas para o que a sociedade possa pensar das minhas ações e decisões, EU escolhi fazer parte daquele grupo. E, por mais este motivo, sou um grunho e um merdas, mas um grunho e um merdas feliz e orgulhoso de todas as decisões que tomei. Porque não me arrependo de nada do que fiz, somente do que podia ter feito e não fiz.

Há, em todo o lado, em todas as profissões e estratos sociais, pessoas boas e pessoas más. Nas praxes há, não o nego, quem abuse do "poder" e da sorte. Mas há quem tenha respeito pelos outros e pela tradição. Quem tenha ética. Não é culpa nossa que só passem notícias dos "desgraçados" e das más práticas. E, quanto ao caso do Meco, que, pelos vistos, nada teve a ver com praxes, ou, se teve, foi um acidente (algo que, de repente, as pessoas parecem ter esquecido o que seja), ninguém tem culpa que tenham decidido ir à praia fora da época balnear (sim, também faço piadas com a tristeza alheia e, se se der o caso, com a minha também).

Muito se tem falado das praxes, Porque não havia eu de falar também. Fiz parte delas e faria outra vez. Orgulhoso por ser grunho e merdas. Orgulhoso por ser eu.

Assinado: Grunho Merdas.

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