BFF
Nem sempre estamos disponíveis para ouvir os problemas dos outros. Muitas vezes ouvimos, mas nem sequer escutamos. Algumas vezes, por sabermos que não são problemas reais, mas, na grande maioria dos casos, porque estamos mais concentrados nos nossos próprios problemas.
Chego à conclusão que a vida é isso mesmo, uma sucessão de problemas. Resolvemos um e arranjamos logo outros quantos novos. Tudo cria um problema. Se acabássemos com a fome no mundo íamos ganhar novos problemas. Como se produziria tanta comida? Quem pagaria aos produtores? E por aí fora. Quem fala num problema deste tamanho, fala também de um mais simples. Tens sede, bebes água. A seguir vem a vontade de urinar, mais um problema. E ninguém tem paciência para tantos desafios.
Por isso, faço por não incomodar ninguém. Faço por ouvir os meus amigos, porque sei o quanto isso é importante e o quanto ajuda, libertar as coisas, abrir espaço para outras histórias, na nossa mente. Mas prefiro manter os meus demónios, como lhes chamo, para mim. Para mim e para os meus melhores amigos. Um caderno e uma caneta. É a eles que confidencio tudo. É com eles que partilho as alegrias e tristezas. Os bons e os maus momentos. Na linguagem dos dias de hoje, são os meus "BFF".
Nunca fui muito bom a falar, mas sei quase sempre o que escrever (estranho). Daí que escrever o que me vai na mente é mais fácil do que chegar-me a alguém, sem outra razão e desabafar.
Nem sempre estamos disponíveis a ouvir os problemas dos outros. Aliás, acho que estamos cada vez menos. Porque temos os nossos para resolver.

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