Não Ouço

Já não é a primeira, e muito provavelmente não será a última, vez que toco neste tema. Quem me conhece sabe que falo pouco. Muito mais do que falava, há uns anos - às vezes até demais e sem filtro -, mas pouco. E cada vez falo menos, de novo.

De nada adianta falar. Seja do que for. Tenho aprendido que o melhor, mesmo, é ouvir. Primeiro, porque ninguém ouve. Não me estou a queixar, é um facto. Várias vezes converso com alguém e, dois minutos depois, já não sabem o que disse. Por isso, conselhos, piadas, conversas banais apagam-se, numa fração de segundos.

Em segundo lugar, porque, como alguém disse, 20% das pessoas não quer saber dos teus problemas e 80% ainda fica contente por teres problemas. Queixar-mo-nos não ajuda e não serve grandes propósitos. Ninguém quer saber. Isto leva a conselhos vãos, sem significado, ou a ajuda falsa. Há, claro, 0,9% de pessoas que se preocupam e querem ajudar, não quero dizer que são todos interesseiros e parvos.

Todo o mundo está demasiado concentrado na conversa interna. No que vai na sua cabeça. É a lista das compras, o estado da relação, os resultados do Benfica - esta é para mim. Ninguém ouve, ninguém quer saber. Todos têm problemas e todos querem problemas resolvidos.

Há uns anos, quem me conhecia pela primeira vez raramente ouvia uma palavra da minha boca. Acho que fazia melhor nessa altura.


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