Coisas Estranhas


A mim acontecem-me coisas estranhas. Não, não me aparecem coisas a voar, vindas do nada. Não me desaparecem objectos misteriosamente, apesar de ter escondido cerca de 80 euros e não saber onde, há 6 anos. Não desse género de coisas. Mas, ainda assim, coisas estranhas.

Não sou um exemplo de beleza. Não sou Adonis, ou um deus grego. Não sou digno de uma capa de revista, ou algo dessa natureza. Também não sou feio e vivo muito bem com a embalagem que me foi fornecida. Mas não me considero um “pão”. No entanto, algumas pessoas tratam-me de forma estranha. Não que eu não aprecie um pouco de simpatia alheia, muito pelo contrário, mas estranha.
Existirá mesmo aquilo a chamam simpatia extrema? Não foi uma, nem duas, nem três, mas mais vezes que eu observei esse fenómeno. Simpatia não estranho, eu sei. Ou, pelo menos, não devia ser. O que é estranho é as pessoas, nomeadamente algumas mulheres, serem extremamente simpáticas comigo e ignorarem por completo a minha namorada. Que está, normalmente, ao meu lado.

Por várias vezes entro numa loja, acompanhado da Dama e sou atendido com enorme simpatia. Muito bom. Mas sou só eu. A namorada é ignorada de forma épica pela empregada que nos atende. Até mesmo em lojas de artigos para senhora. É verdade. A empregada ignora a “minha senhora” e tenta vender-me a mim o artigo que ela procura. Consegue-se quase ouvir o pensamento gritante que passa na cabeça da Raquel ao ver estas cenas. Numa destas situações a funcionária de uma grande loja (não faço publicidade, mas foi na FNAC), só não me pediu o número de telemóvel, porque não dei tempo. E a Dama ali do lado. Até a senhora da imobiliária prefere falar comigo a dialogar com a Raquel e, quando tem mesmo de privar com ela, manda cumprimentos para mim. Coisa que não faz para ela, quando fala comigo. Na mesma instituição conheci uma ex-colega de escola da Dama, que nunca tinha vista mais gorda. Mas ela sabia quem eu era. Ao que eu digo: “Sempre achei que passava despercebido”. Resposta do pessoal da agência: “Não, não passas.”. Eu sou normal. Eu adoro a atenção extra e ser o centro das atenções, mas eu sou normal.

E enganem-se se acham que isto se passa só com raparigas. Sempre pensei que não era o homem tipo da maioria dos gays deste país. Até que um dia entrei numa loja de roupa, com a minha irmã do lado. Ela ia fazer compras. Ela experimentou o que queria. E ela queria informações. O empregado, homossexual (presumo eu. Dava todo o ar disso.), ignorou-a por completo. Falou comigo com um ar dengoso, como uma menina envergonhada. 

Digam lá se isto não é estranho. Como eu digo, eu adoro a atenção, mas não estou habituado. Ou tenho um carisma espectacular, ou sou mais atraente e atractivo do que imagino. Já me chegaram a dizer que tenho um grande poder nos olhos. Algo que me persegue desde aquele dia e que, até hoje, não consigo perceber o que a minha colega quis dizer. Mas daí a conseguir que a minha namorada e a minha irmã sejam ignoradas pelas empregadas que, supostamente, as deviam estar a atender, vai um passinho.

P.S.: Se alguém me souber explicar que poder tenho eu nos olhos, agradeço. Pode dar jeito na minha vida pessoal e profissional.

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