Pergunto-me


Ao longo de um dia, faço-me várias perguntas. Tenho, diariamente, longas conversas comigo mesmo. Daí saem estas teorias e filosofias.

Será que a humanidade está senil? Estará o Homem a perder o juízo? Estaremos perto do fim? Se estamos, será esta forma desenfreada de viver o dia-a-dia a mais correcta? Não será melhor abrandar? Aproveitar o momento e fazer as coisas devagar, mas com prazer, não será muito melhor? Serão o dinheiro e o poder assim tão importantes e fundamentais? Não haverá, por aí, outra forma de fazer as coisas? Não serão a ganância e a inveja tão más, que as deveríamos querer erradicar como queremos algumas doenças? Teremos perdido mesmo o norte? De tal forma que somos capazes de matar o nosso irmão? Não haverá nada a fazer para mudar a mentalidade deste povo? Para mudar esta maneira de ser? Para que o mundo seja diferente? Pergunto-me.

Será que Deus existe? Terá Ele criado o universo e tudo o que nos rodeia? Estará Ele a ver? Não terá Ele poder, no caso de ser real, de mudar o rumo as coisas? Terá levado esta coisa do livre arbítrio longe demais? Teremos nós criado governos e outras instituições, por medo de sermos abandonados? De perdermos o controlo? De perdermos Deus? Fará algum sentido a criação da igreja e das diferentes religiões? Não será Deus o mesmo para todos os povos? Para que servem as leis da igreja? Se rezar de forma diferente da que vem na bíblia, será que Deus não me ouve? Já alguém viu Deus? Tenho as minhas teorias e crenças em relação a este tema, será que Deus me descrimina por isso? Pergunto-me.
Será que devemos, mesmo, parar de sonhar? Que devemos ser realistas? Quantos de vós desistiram dos vossos sonhos? Quantos ainda acreditam? Quantos vivem os sonhos dos vossos pais? Quantos de nós não escolhemos o curso, o rumo dos estudos, por “empurrão” dos progenitores? Seremos assim tão loucos por acreditar que tudo é possível? Ser realista e viver no desespero e infeliz para toda é o caminho a seguir? Não será acreditar em unicórnios mais agradável? Será que, ao chegar a maioridade, devemos mesmo deixar de ser crianças e passar a ser velhos rezingões? Será melhor viver feliz, ou em busca da felicidade? Não será melhor ver a vida como algo prazeroso e belo, em vez de difícil, dura e trabalhosa? Pergunto-me.

Pergunto-me: porque damos tanta importância às notícias, na televisão e jornais? Porque invejamos tanto o vizinho do lado? Porque criticamos quem se veste de maneira diferente? Porque descriminamos diferentes cores, credos e opções sexuais? Porque somos tão fechados, no nosso pequeno mundo, e não a beleza que nos rodeia? Porque insistimos nesta mentalidade tacanha? Porque somos mesquinhos? Porque valorizamos o que, na realidade, não tem valor? Porque passamos uma vida a culpar terceiros pela nossa realidade? Porque vivemos em preocupação e stress se isso nos leva mais depressa à morte? Porque, se a vida é curta (como vários pregam), não a vivemos ao máximo? Porque não fazemos só o que queremos e gostamos, ainda que seja no trabalho ou nas lides de casa? Porque passamos pelo mundo a acreditar que o trabalho e o dinheiro são o que levamos para o outro lado?

Todos os dias me interrogo. Todos os dias perguntas como estas me assaltam. Tenho as minhas teorias e as minhas respostas. Enquanto valorizo mais o tempo que passo com os que amo, do que valorizo o tempo que trabalho, ou o dinheiro que faço. Enquanto o meu deus não vê religiões, nem liga a ceitas religiosas, ou se rege por leis espirituais, pois não é mais do que energia, que está presente em tudo no universo. Enquanto vivo da felicidade e não em busca dela. Enquanto vivo o meu dia ao máximo, fazendo só o que quero e porque quero. Enquanto sonho acordado. Enquanto vivo como a criança que passou, mas que não ficou para trás. Enquanto teorizo e exteriorizo pensamentos, através de uma das minhas muitas paixões. Enquanto faço tudo o que faço, o resto do mundo vive de forma diferente. Sinto-me remar contra a maré. Com dedos apontados a mim, mesmo dedos bem chegados. Acusado de loucura e imaturidade. E pergunto-me: será que sou eu que estou errado, ou será que se todos vivessem de forma semelhante à minha, o mundo seria um pouco melhor?

Interrogo-me.

Comentários

  1. O mundo seria bem melhor.... Sem dúvida! Se todos fizéssemos tudo o que gostamos sempre éramos pessoas bem melhores, tanto no trabalho como na vida pessoal. Sinto muitas vezes tal e qual como tu... Não estás sozinho.

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