Aptidões

Todos temos aptidões. Alguns não possuem das mais positivas, mas todos temos aptidões. Aptidões são as coisas que fazemos bem e sem esforço e que nos dão prazer a fazer. Todos temos aptidões e devemos usa-las, sempre, ou sempre que possível, ou quando nos apetecer. Eu tenho aptidões. Uma é escrever. Não é escrever bem, mas é escrever qualquer coisa, com o mínimo de erros ortográficos e gralhas possível. Outra é cozinhar. Cozinho o que quer que seja e cozinho-o com prazer. Umas vezes cozinho bem, outras vezes cozinho menos bem. E, recentemente, descobri uma aptidão que desconhecia. Nunca me tinha passado tal coisa pela cabeça, mas encontrei-a sem querer. Tenho aptidão para lavar cabelos. Qual cabeleireiro da alta roda, tenho jeito para lavar cabelos, com qualidade. Para esfregar, massajar e deixar os cabelos limpos e cheirosos. Sempre admirei os artistas da tesoura e do pente, porque, no fundo, é uma forma de arte e eu sou virado para as artes. Já disse algumas vezes que ia abrir um salão, mas nunca me conheci tal capacidade. Até ter iniciado a minha vida conjugal, nunca tinha lavado uma cabeça. Há sempre uma primeira vez para tudo e, graças à minha companheira de habitação, descobri que tenho um certo talento para fazer lavagem capilar. Dedos mágicos, talvez.

Todos temos aptidões. Para coisas boas, como construir, fazer o bem, ou para coisas más, como roubar, ou traficar. Todos as temos. Só temos de as descobrir. Eu conheço algumas das minhas. E, dessas, muitas são estranhas, mas não deixam de ser aptidões. Acho que devo usa-las.

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