Suicídio

Procuram uma solução. Uma solução para o problema que é a vida. Sim, porque, para muitos, a vida é O problema. Uma unha encravada é o fim do mundo. Um prato lascado é o fim. Com o turbilhão de pequenos problemas, que, juntos, fazem da vida o problema máximo, a rodopiar nas suas cabeças, não há espaço para encontrar uma solução. Há ruído. Criam dor dentro de si. Desespero e pânico. Carregam, às costas, o peso do mundo, quais Atlas reencarnados. São os mártires do novo mundo. Culpam circunstâncias, acontecimentos e outros como eles. Encontram a salvação num frasco de comprimidos para dormir, na beira da ponte, ou no fundo do cano da espingarda. Albergam a cobardia com orgulho e partem, deixando os problemas para trás, para que os outros, ou as circunstâncias os resolvam.

Quando a cobardia me assalta e deixo que o desespero me controle, também eu procuro a solução fácil. Considero a arma, a pastilha, a corda, ou mesmo o rio. Mas, felizmente, a minha consciência é forte e sei que, no dia seguinte, a cobardia foi embora e desistir deixa de fazer parte dos planos. Triste e depressivo, calo o ruído no cérebro e deixo que uma solução menos dolorosa venha até mim. Porque o suicídio não é solução, mas aparece-nos a todos disfarçado.

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