O Meu Portugal

Estou um pouco cansado de ouvir falar mal do meu país. Principalmente, porque quem fala são os próprios habitantes. O meu Portugal não é o que a maioria tem andado a pintar e recuso-me a ouvir e absorver como minhas as suas palavras.

Desde que me conheço como gente, só ouço este povo queixar-se. "Não há dinheiro.", "Queremos subsídios.", "O governo não faz nada.". Falar mal do governo não muda a vida. Não muda nada. Até porque, quem colocou lá o governo fomos nós. E foram aqueles milhões que não foram votar, porque não valia a pena. Não votar não é forma de protesto, é uma forma ignorante de dar a vitória aos mesmos de sempre. Um milhão de votos, num qualquer outro partido podia ter feito toda a diferença. A grande maioria do povo nacional agarra-se ao fado e por aí fica. Somo muito tristes e desgraçadinhos. Ser português é uma tristeza. É uma enorme infelicidade ter nascido neste país. Pelo menos, para grande parte dos meus conterrâneos. Visão que, nem eu, nem os estrangeiros que nos visitam partilhamos.

Para o português, a galinha da vizinha sempre foi melhor que a dele. Mesmo agora, com Espanha em pior estado do que nós, os vizinhos são muito melhores e um destino desejável, quando toca de fugir das responsabilidades. Sim, porque, para mim, emigrar é fugir das responsabilidades. Cada um tem a sua opinião e eu dou a minha. Não que nunca tenha pensado em emigrar, pensei e ainda penso. Mas não é por uma questão de dinheiro. É mais para conhecer novas culturas e formas de gestão e de vida. Quem me conhece sabe que não me levanto da cama por dinheiro.

Para mim, Portugal faz inveja a grande parte dos países da Europa e, quem sabe, do mundo. Temos um país cheio de potencial e oportunidades. Paisagens incríveis, que não podem ser vistas em mais nenhum lado no mundo. Pessoas amáveis e sempre prontas a ajudar. Um clima fantástico. Uma gastronomia incomparável com qualquer outra. Temos uma agricultura de grande qualidade, mas que necessita renascer. Peixe como o nosso, das nossas águas, não há em mais lado nenhum (e eu sei, que já comi peixe lá fora e não tem comparação). Somos uma porta para a Europa. Portugal tem tudo para ser um grande país. Temos tudo para ser um povo feliz. Mas não somos. Costumo dizer que os brasileiros nos ficaram com a felicidade. E alguma outra colónia deverá ter ficado com a inteligência. Lá fora, temos fama de trabalhadores, de desenrascados. Cá dentro não vejo nada disso. Pratica-se a revolução de sofá. Todos criticam, todos se arreliam, mas ninguém se levanta. Tentam mudar o mundo com palavras dirigidas à televisão.

Acho que é mais do que altura de aproveitar as potencialidades deste país, à beira-mar plantado. Parar de culpar o governo pelo que acontece nas nossas vidas. O governo não manda na minha vida, nem o governo, nem os meus pais, nem mesmo a minha namorada. Eu faço o que quero, porque quero e quando quero. "Tens de fazer isto ou aquilo.". Se calhar tenho, mas faço-o quando quiser. Qualquer dia há-de me apetecer. Se cada um mudar a sua vida. Se usarmos desta boa vontade e espírito de entreajuda, mudamos um país inteiro, uma pessoa de cada vez. Sem precisar de governos. Só precisamos de vontade.Temos todo o potencial para crescer, falta-nos só o engenho. É preciso aproveitar o que a terra nos dá. Quebrar regras e barreiras. Fazer de maneira diferente.

Pelas notícias que vejo, Portugal parecer só agora ter chegado ao capitalismo. Só se fala de dinheiro e de crise. Diz-se que isto está mal, que há desemprego. Que as famílias estão isto e aquilo. E a maioria dos portugueses cai quem nem patos nesta esparrela. Deixam-se levar por uma onda de negativismo doentia. Param de fazer as suas vidas e fecham-se, como se isso fosse salvar o mundo. A vida é cá fora. Portugal não está bem, mas quando é que esteve? Nunca. E, ou muito me engano, ou nunca vai estar. Resta-nos sair, viver e ser felizes. Trabalhar, não porque tem de ser, porque precisamos do malfadado bicho verde, mas porque podemos, com esse trabalho, fazer a diferença na via de outrem. O capitalismo está pelas horas da morte e cabe-nos a nós mudar o paradigma. E eu acredito, porque é o que vejo nos portugueses que me rodeiam, no meu país, que temos a capacidade para o fazer.

O meu Portugal não é pobre. É cheio de riquezas físicas e psicológicas. Cheio de gente bela e feliz. Cheio de trabalhadores, conquistadores, bravos guerreiros. O meu Portugal é forte e determinado. O meu Portugal luta contra todas as adversidades, porque vê nelas obstáculos e não problemas. O meu Portugal é, sem dúvida, diferente do vosso.

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