Os Pobrezinhos
Há algum tempo, deixei de ver, ler, ou ouvir notícias. Deixei, por completo. Fartei-me da visão negativista que a imprensa deste país nos tenta vender. Em todo o lado se ouve a palavra crise. Crise económica, crise de valores, crise disto, crise daquilo. À crise junta-se o desemprego e outras anomalias sociais que a ela estão ligadas. Cansei-me.
Mas, recentemente, levo comigo, para o tratamento de certo e determinado tipo de negócios, um jornal. As primeiras páginas desta publicação diária estão pejadas de más notícias. São trinta e tal páginas de crise, desemprego, assaltos, pedofilia, morte. Vendem-nos um país de pobrezinhos. Um país violento, que vive de apoios sociais e ajudas dos mais ricos. Um Portugal doente e moribundo. Pergunto-me por que raio voltei a ler notícias. Colocam-me pensamentos estranhos na cabeça, que me fazem ficar depressivo. Se em mim tem esse efeito, imagino o efeito que terá no resto da população. População que vive de notícias manipuladas. Que não consegue deglutir as refeições sem que a televisão esteja no noticiário. Que se alimentam de notícias como quem se alimenta de legumes. Depois dizem que o país anda triste. Que a população anda cabisbaixa e deprimida. Que se consomem demasiados antidepressivos. E de quem é a culpa? Minha não é de certeza. Eu tento passar uma mensagem positiva. Sei que às vezes não consigo, mas pelo menos tento. Já vieram com uma explicação científica. O cérebro humano recebe melhor as mensagens mais negativas. O lado do cérebro que recebe as notícias mais chocantes é o mais sensível. Não sei se é assim, ao certo, mas é algo nestes parâmetros. Mas o lado que recebe estas mensagens, segundo a ciência, é o mesmo que recebe as mensagens positivas. É o lado que gere as emoções, é o mesmo. Por isso, tanto faz que se publiquem notícias positivas, ou notícias negativas. Podem falar da crise e do desemprego, mas com positividade e esperança. É isso que é preciso.
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