Cão de Guarda
És um cão feroz. Figuras na lista de raças potencialmente perigosas, bem no primeiro lugar, à frente de Pittbull e Rottweiler. Encabeças a lista, como um campeão, mas sem qualquer orgulho. És um cão de ataque. Atacas à mínima oportunidade. Uma aproximação e arrancas a ladrar e a rosnar. Mordes. Magoas desconhecidos e, mesmo, os que amas. Conheces apenas uma resposta, independentemente da pergunta: a violência. Sempre na desconfiança e na defensiva. És um cão de guarda. Guardas-te a ti próprio, da aproximação dos outros. Colocas-te de parte. Afastas-te do que não queres enfrentar. E, quando te encurralam, disparas para cima do agressor. Agarras com quantos dentes tens e não largas enquanto não furares a carne. Talvez seja raiva. Talvez sejam problemas por resolver. És uma fera, uma ameaça. No entanto, no fundo, sabes que não queres fazer mal. Por dentro és um cachorro meigo, que apenas quer companhia. Que procura festas na barriga e atrás das orelhas. Só que não reconheces o tamanho e portento que possuis. Afastas quem te quer junto. Até aqueles que te consideram da matilha. Afastas as mãos que te afagam e que te alimentam. És um animal. Não distingues um ataque de um carinho. Não diferencias amor de ameaça. Um pedido de uma ordem. Perdes-te em dicotomias que não conheces. És um cão feroz.
Sou um cão de guarda. Protejo-me contra ameaças invisíveis. Um pedido amigável, uma aproximação inocente, e salto, enfurecido, ladrando e espumando, tentando morder o opressor. Talvez sejam problemas por resolver, preciso de correção. De uma mudança de atitude. Sou um cão de ataque e arrisco-me a perder a matilha e a morrer de fome, por falta de alimentação.
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