Cavalos de Corrida

Saio à rua. Detenho-me, observando a vida. Vejo, em todo o lado, cavalos de corrida. Correm frenéticos, cavalgados por um jóquei invisível, que os chicoteia de forma bruta e constante. Pelo menos, assim parece. Por que outro motivo correriam? Animais que correm num círculo, vicioso, volta atrás de volta. Sem nunca ficarem tontos. Salvo certas excepções que, por necessidade, acabam por ser abatidos, tamanha é a dor de cabeça que sentem de tanto andar às voltas. Todos com o objetivo de ganhar a corrida. Mas a corrida para onde? Para a morte? É o único lugar a que esta pista circular os leva. Ou por ficarem tontos da corrida, ou por ficarem velhos demais para correr. Mas talvez seja esse o prémio que procuram. São cavalos de corrida, afinal, e terão, certamente, um objetivo que os faça correr. Novos, velhos, grandes, pequenos. Têm cores diferentes e formas diferentes de correr. Mas todos fazem o mesmo. Correm. Uns mais belos e bem tratados, alimentados com palha da melhor qualidade, com o pelo brilhante. Outros, menos bem tratados, com o pelo gasto e sujo, alimentados a serrim. Uns com ajuda da ciência e tecnologia de ponta, os outros com ajuda da mente e do espírito. Todos correm, sem parar. Milhões de cavalos de corrida, em busca do prémio máximo. Todos os dias, a toda a hora. Correm de manhã, à tarde e mesmo durante o sono. Foram criados para isso. Foram ensinados a isso. Tudo o que fazem na vida é correr.

Saio à rua e penso: para quê correr? Para quê fazer parte da manada? A meta é igual para todos. É no mesmo sítio. Só muda a ordem de chegada. E, se vamos todos para o mesmo loca, se o prémio é igual para todos, este cavalo prefere ir devagar.

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